Da casa do Papa à casa de Adolf Hitler

Por: Prof. Altair Reinehr- Quarta-Feira - 09/11/2011 Lembrancas da Alemanha

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Maravilha Sexta-feira, dia 2 de setembro. Fins de inverno no Brasil. Dia nublado e com seguidos chuviscos no sul da Alemanha. Os alemães - que sempre acham um motivo para festejar - mesmo ainda sendo verão, a "Herbstfest" (Festa de Outono) estava sendo comemorada, a todo o vapor, na cidade de Rosenheim, a menos de dez kms de Grosskarolienenfeld. As atrações eram as mais variadas imagináveis. Roda gigante, montanha russa, tiro ao alvo, locais apropriados para dançar e não faltavam as bandas típicas, que animavam a todos. Ah, os restaurantes típicos, com típicos pratos da Baviera e de outras regiões do país. Com cada prato cabia muito bem um "Bier vom Fass (Chopp)", oriundo das duas cervejarias existentes naquela cidade. No dia anterior, em casa dos Baumann, combinamos ir àquela festa. Fomos. Não foi fácil encontrar um lugar para estacionar o carro. Finalmente, "no 6º andar duma garagem", encontramos lugar. O aluguel do espaço, todo controlado eletronicamente, é pago pelo tempo em que o carro fica lá estacionado. Por cerca de duas horas andamos por aquele amplo espaço da "Herbstfest", que em muito fazia lembrar a "Oktoberfest" de Munique, apenas em proporções bem menores, é claro! Almoçamos num restaurante, que apenas servia pratos a base de peixe. E a bebida não era vinho branco, mas "chopp!” Thomas e Sabine Baumann se prontificaram em me levar até Salzburg, na Áustria, de onde, à noite, eu tomaria o trem, rumo a Viena, capital da Áustria e "Capital Mundial dos Grandes Músicos". No trajeto de Rosenheim a Salzburg, haveria três pontos a serem visitados: o primeiro, em Marktl, às margens do Rio Inn, visitar a casa onde nasceu Josef Alois Ratzinger, o atual Papa Bento XVI. Para lá seguimos viagem. Não foi difícil localizar aquela casa, que hoje está transformada em museu. Realmente, é uma sensação estranha adentrar aquela casa de classe média, dois andares, onde em cada espaço e a cada passo a gente parece estar "respirando santidade". Inicialmente, paga-se o ingresso. Passo contínuo - independente do número de pessoas - numa sala muito limpa, atipada e calma, pode-se assistir a um filme, de menos de meia hora, onde é contada a história do menino, Josef, caçulinha da Família Ratzinger, desde o seu nascimento, até os dias de hoje. Também podem ser adquiridos postais e outras lembranças naquele museu. Marktl é uma pequena cidade, à margem esquerda do Inn. A limpeza das ruas e as flores são atrativos, como em todas as cidades alemãs. As pessoas são simpáticas e nada diferencia o seu modus vivendi dos alemães de outras pequenas cidades da região. E como é normal naquele país, até em pequenas cidades e aldeias há cervejarias. E a cidade do Papa não foge a essa regra. Mas, há um detalhe: a cervejaria local fabrica uma cerveja marca "Pabst Bier" (Cerveja do Papa), que pode ser adquirida em todos os mercados, bares e restaurantes. Nas garrafas e copos está estampada uma foto de "Pabst Ratzinger", muito sorridente e simpático. Após termos visitado a "Pabst Stadt" (cidade do Papa), prosseguimos viagem até Braunau, à margem direita do Inn, 16 kms adiante de Marktl. Braunau é a cidade natal de Adolf Hitler, que após uma infância bastante infeliz, teve uma adolescência e juventude marcada por enormes dificuldades, sacrifícios de toda a ordem e notadamente incompreensões. Após a I Guerra Mundial, passou vários anos numa prisão em Landsberg, onde escreveu o seu livro "Mein Kampf" (Minha Luta). Depois, ingressou na política e em 30 de janeiro de 1933 foi nomeado Chanceler da Alemanha. Neste posto, realizou algo inédito e até hoje não imitado. Num curto espaço de tempo, acabou com o problema do desemprego de 6 a 7 milhões de pessoas, revitalizou a indústria, moralizou os serviços públicos e transformou a Alemanha num canteiro de obras. Por sua iniciativa, a Alemanha foi dotada de rodovias - por muitos ainda hoje consideradas - as mais modernas do mundo. E isso foi na década de 30...! Enquanto tudo ia bem, sua popularidade como estadista crescia, chegando a ter mais de 90% de aprovação. A "história oficial" o considera como o causador da II Guerra Mundial, o que cada vez mais está sendo questionado por historiadores de renome de diferentes países. Encerrado o conflito, com a derrota da Alemanha e seus aliados - de "estadista mais amado e mais popular do mundo" - foi jogado no outro extremo. Hoje - oficialmente - é o estadista mais odiado, notadamente na Alemanha, onde é proibido "FALAR BEM DE HITLER", publicamente. Nem é permitido lembrar obras reconhecidamente positivas. (Aqui convém observar o seguinte: nas escolas dos países europeus, não se ensina a conhecer o governo de Hitler, nem o que era o Nacional-Socialismo, mas ensina-se a odiar ambos.) E tudo isso em nome da democracia, da verdade e da "...liberdade de expressão...!” A casa, onde Hitler nasceu, localiza-se numa esquina duma ampla avenida, no centro de Braunau. Tem três andares e não está aberta à visitação. Em frente à casa há uma enorme pedra, onde, de um lado lê-se: "Stein aus dem Konzentrationslager Mauthausen" (Pedra do campo de concentração de Mauthausen). Do outro lado há a inscrição: "Für Frieden, Freiheit und Demokratie. Nie wieder Faschismus. Millionen Tote Mahnan". (= Para a paz, liberdade e democracia. Nunca mais fascismo. Milhões de mortos advertem". ) Não é mencionado o nome do "Adolf...!" Por que será...?! Feitas as fotos e outros registros, que me interessavam, deixamos a encantadora Braunau e prosseguimos viagem rumo a Salzburg, a "Cidade de Mozart", um dos mais proeminentes músicos de todos os tempos. Salzburg, CIDADE MARAVILHOSA! (Wunderschöne Stadt!) Quem vai a Salzburg, deve obrigatoriamente visitar o Castelo Mirabel e a Fortaleza, no topo duma "minimontanha", donde se tem uma visão bastante ampla da cidade. O difícil é chegar lá, pois não há como subir com carros. O trajeto deve ser feito de "Ji-pé" mesmo. Ou então, de "Volks-Perna...!" Vale à pena! (...E haja preparo físico...!)


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