A visão míope esquerdista

- quarta-feira - 26/08/2015 Editorial

Na semana passada assistimos pela imprensa duas grandes manifestações. Uma no domingo 16, e outra na quinta-feira, 20. A de domingo protestava contra o desastrado governo Dilma e a de quinta-feira, salvo melhor juízo, uma tentativa desesperada para manter a esquerda no poder e, consequentemente, a não perda das generosas tetas governamentais. Mas a principal diferença entre os dois grupos que foram às ruas não está nas reivindicações e sim no dia da passeata.
O grupo de domingo, suponho, escolheu o domingo porque na segunda feira trabalha. Já o de quinta-feira, suponho que pelo menos a maioria, é de estudantes gaseando aula, servidores faltando ao emprego e desempregados sonhando com o emprego público, de preferência um cargo comissionado, aquele sem concurso e que não precisa bater ponto. Achar que esse tipo de passeata irá comover a Nação é subestimar a inteligência dos brasileiros, é ter uma visão míope da conjuntura do país.
A visão míope da conjuntura também pode ser observada nas convicções dos militantes de esquerda. Para a militância, intolerante não é aquele que não admite a opinião alheia. Intolerante passa a ser todo aquele que ousa manifestar opinião contrária aos interesses esquerdistas. Se o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso expressa sua opinião de que a renúncia da presidente Dilma, ou ao menos o reconhecimento dos erros cometidos, seria um gesto de grandeza de sua parte, ele é imediatamente tachado de intolerante e instado a se calar, porque ex-presidente deve se recolher à sua insignificância. Exceto, é claro, o mais ilustre de todos, Luiz Inácio, o Lula da Silva, cujos conselhos são ouro puro.
Esse é o método esquerdopata – acuar quem não concorda com o jeito de governar das esquerdas. Na ótica esquerdista, a manifestação da opinião política – como a que se viu naquele domingo por todo o país – já não faz parte da liberdade de expressão e da liberdade política. É golpismo, revanchismo de quem não aceita o resultado das eleições.
Da mesma forma, quem considera que há razões legais e constitucionais para o impeachment da presidente Dilma é simplesmente golpista. Levada ao extremo a interpretação que esses petistas dão à lei e aos fatos, o fundamento do Estado não é a Constituição Federal. O Estado é o partido.
Mas, quando lhes convém, vale tudo. Valeu o impeachment de Fernando Collor de Melo, o primeiro eleito pelo povo após um longo jejum imposto pelo regime militar. Collor foi eleito pelo voto popular assim como Dilma Rousseff. Com algumas diferenças: sem mensalão, sem petróleo, sem bolsa família. Em comum, os dois falharam. Collor prometeu caçar os marajás e Dilma prometeu tirar milhões da pobreza.

 

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