Casamento estremecido

- segunda-feira - 28/12/2015 Editorial


Com mais de 13 anos de casamento PT & PMDB está estremecido pela ladroagem. Com a posse de Lula na Presidência da República, o PT arquitetou um plano audacioso para se perpetuar no poder. A ideia era usar a máquina federal, com seus cargos e orçamentos bilionários, para comprar o apoio de partidos, sem ceder um milímetro de terreno no avanço sobre as liberdades democráticas. Foi assim que nasceu o mensalão. "Os profanadores da República", conforme expressão cunhada pelo decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Celso de Mello, desviaram recursos públicos e contrataram empréstimos fraudulentos em bancos privados para subornar parlamentares e fechar alianças no Congresso. Quando o esquema foi descoberto, Lula viu seu mandato ameaçado. Para afastar o risco de responder a um processo de impeachment, convidou o bom e velho PMDB, o eterno fiador de qualquer presidente de turno, para se tornar sócio do PT no governo. Como prova de boa vontade, abriu aos peemedebistas as portas de setores estratégicos da administração - entre elas, as da Petrobras. O resultado dessa sociedade, formalizada há mais de uma década, recebeu o nome de petrolão, o maior escândalo de corrupção da história do país.

A nova fase da Lava-Jato recebeu o nome de Catilinárias, em referência à série de discursos que o cônsul romano Marco Túlio Cícero fez, há mais de 2 000 anos, para acusar o senador Lúcio Catilina de tramar para derrubar a República e assumir o poder: "Até quando, ó Catilina, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo ainda há de zombar de nós esta sua loucura? A que extremos se há de precipitar a tua audácia sem freio?".

Os ânimos não estão exaltados à toa. Está cada vez mais claro que, apesar das tentativas, as investigações em curso não serão detidas por acordos de compadres. A prisão do banqueiro André Esteves, 13º homem mais rico do Brasil, não fomentam mais a tradição brasileira de impunidade. Foi-se o tempo em que cadeia era somente para ladrões de galinhas.

 



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