Cem dias de governo e Argentina já tem rumo

- quinta-feira - 24/03/2016 Editorial

O modelo argentino mudou e agora é pró-mercado, a antítese do governo de centro-esquerda de cem dias atrás, com realinhamento do país com as grandes potências promovido pelo presidente Mauricio Macri. Apesar da mudança de rumo, o novo chefe de Estado ainda não foi capaz de dissipar as angústias da sociedade argentina, que sofre com a queda das receitas e o aumento da inflação. Quando Macri assumiu a presidência no dia 10 de dezembro, as consultoras internacionais indagavam se ele poderia solucionar o pagamento aos fundos especulativos com um Congresso opositor. Mas em um gesto de moderação, os legisladores estão lhe dando autorização e Macri segue conseguindo cumprir suas metas.

A política externa também tem recebido elogios, sobretudo sua aproximação com Washington, em clara oposição ao desinteresse por alimentar esse vínculo dos ex-presidentes de centro-esquerda Néstor e Cristina Kirchner (2003-2007; 2007-2015). No final de março, selando a reaproximação com os Estados Unidos, o presidente Barack Obama irá fazer uma visita oficial ao seu colega Macri. O presidente da França, François Hollande, e o primeiro-ministro da Itália, Mateo Renzi, foram outros líderes que visitaram a Argentina e elogiaram a nova etapa das relações com o país latino.

O presidente, pouco depois que assumiu o cargo, anunciou o fim das restrições cambiais existentes e o peso sofreu uma desvalorização de 35% desde então, impactando no salário de milhões de trabalhadores. Além disso, promoveu medidas duras do ponto de vista social: demissões no setor público e privado, e uma inflação em alta. No plano econômico de Macri, os dolorosos ajustes são necessários para garantir o crescimento no longo prazo.

Na semana passada, Macri fez duras críticas à gestão kirchnerista, que governou o país entre 2003 e 2015. Em discurso no Congresso, Macri acusou a gestão anterior de ter deixado o Estado "desordenado e mal administrado" e afirmou que a Argentina é um "país próspero para os traficantes". O mandatário pediu que se investigue se o avanço do narcotráfico nos últimos anos se deve à incompetência ou à cumplicidade do governo anterior. A tendência é de que, assim como na Argentina, as republiquetas de esquerda da América Latina darão lugar a governos de direita.

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