Que jararaca é esta?

- quinta-feira - 24/03/2016 Boca no Trombone


Na semana passada, o Brasil assistiu perplexo a audácia de um jaracuçu e a coragem do judiciário. O jaracuçu, desde a redemocratização, deitou e rolou nos ilícitos, comandava a destruição do patrimônio público e privado com as suas “ocupações”, greves de toda ordem, distribuía dinheiro público a bel prazer aos seus lacaios e barganhou eleições patrocinadas com dinheiro das estatais. E tudo era legítimo.

O apedeuta peçonhento teve a audácia de afirmar que o STF e o STJ estão “totalmente acovardados”; cobrou gratidão do procurador-geral da República pelo fato de ter sido nomeado pelo governo petista; classificou de “palhaçada” a denúncia de que é alvo por parte do Ministério Público; mandou policiais e procuradores enfiar em lugar impublicável as investigações que o envolvem; ou aquele que, em “carta aberta”, obviamente escrita por gente alfabetizada, tenta corrigir o devastador efeito negativo da divulgação de suas conversas telefônicas legitimadas pelo judiciário e não por apedeutas.

EXÉRCITO CLANDESTINO

Tem sido sempre assim. Reeleito presidente, passou a demonstrar completo desrespeito pelo Judiciário, ofendendo gravemente o STF com a afirmação de que o processo do Mensalão era uma farsa e que ele trataria de desmontar depois que deixasse o poder. Mas o petróleo então já estava funcionando a pleno vapor e acabou com a fanfarronice do cobrão.

UNE E SUAS “OCUPAÇÕES”

O perfil moral do ex-presidente foi descrito, em palavras duras, pelo decano da Suprema Corte, ministro Celso de Mello, ao repudiar, sem citar nomes, as “ofensas e grosserias” de que os ministros togados foram alvo por parte do ex-presidente: “Esse insulto ao Judiciário, além de absolutamente inaceitável e passível da mais veemente repulsa por parte dessa Corte Suprema, traduz, no presente contexto da profunda crise moral que envolve os altos padrões da República, a reação torpe e indigna, típica de mentes autocráticas e arrogantes que não conseguem esconder, até mesmo em razão do primarismo de seu gesto leviano e irresponsável, o temor pela prevalência da lei e o receio pela atuação firme, justa, impessoal e isenta de juízes livres e independentes”. Várias entidades representativas de juízes, do Ministério Público e dos policiais também repudiaram a tentativa de desqualificar o trabalho da força-tarefa da Lava Jato e do juiz Sergio Moro.

A verdade é que Lula, hábil manipulador e especialista em dizer o que as pessoas querem ouvir, subiu na vida no papel de líder populista, pragmático no pior sentido do termo, sem nenhum compromisso sério senão com a crescente volúpia pelo poder. Inculto, mas espertalhão, Lula deu um nó nos intelectuais esquerdistas que se iludiram com a possibilidade de manipulá-lo e, com indiscutível apoio popular, fingiu converter-se à política econômica que vinha produzindo resultados e se elegeu para a Presidência da República para amoldar a seu feitio o “novo regime”: uma ação entre amigos com sotaque nitidamente sindical estudantil.

DESTRUIÇÃO DO HORTO

Enquanto a economia permitiu, o governo Lula mergulhou fundo em programas sociais indiscutivelmente meritórios, mas insustentáveis quando o panorama mundial se tornou adverso. A incompetência de Dilma Rousseff impediu as necessárias correções. Hoje, com o governo se desintegrando politicamente, inflação e desemprego crescentes e sem recursos para investir em programas estruturais, os brasileiros caíram na real. Já não têm ilusões e isso os faz lutar por seus próprios direitos e interesses, o que significa pôr-se do lado oposto do governo responsável por suas frustrações.

Agora o de fato “presidente da República” vem com a conversa mole de que sempre respeitou o Poder Judiciário e apela ao recurso demagógico de se fazer de vítima que tem sua intimidade “violentada por vazamentos ilegais” e apela à falsa condição de pobrezinho, pessoa humilde e bem-intencionada.

A bem da verdade, o cobrão está com um pé na cova, digo, na cadeia, e outro numacasca de banana.

 

 



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