Coluna do dia 29/03/2016

- segunda-feira - 04/04/2016 Ageu Vieira

Barragem

 

O juiz federal Márcio Engelmann tem se envolvido diretamente nas questões mais importantes e polêmicas da região de fronteira. Há algumas semanas, foi a campo para averiguar a situação das rodovias. No ano passado, esteve numa audiência pública em Itapiranga para discutir o projeto de construção de uma barragem no Rio Uruguai. O tema é espinhoso e existe um grande movimento na comunidade contra a implantação da hidrelétrica. Hoje, com a situação caótica da política brasileira, não há espaço para o governo bater de frente contra a vontade do povo. Por via das dúvidas, Engelmann foi até Itapiranga para ouvir a população.

 

Anônimo

 

Moradores de Itapiranga me contaram que antes da audiência pública o juiz Márcio Engelmann foi visitar as comunidades e conversar com a população ribeirinha para saber qual o impacto e a opinião das pessoas sobre a construção da hidrelétrica. Não se identificou como juiz federal e depois de conversar foi embora. Somente mais tarde, na audiência pública, as pessoas souberam que aquele com quem conversaram nas suas propriedades era um juiz federal. Isso revela um magistrado empenhado em fazer justiça e atender o interesse público, acima de projetos ou vontades individuais.

 

Fardo

 

O peso de ficar a favor do governo nas horas de crise política e institucional costuma ser implacável. Hoje, estamos vendo o deputado federal Celso Maldaner claudicante ante a opinião pública quase unânime contra o governo Dilma Rousseff e o seu desejo pessoal, revelado na campanha eleitoral, de apoiar a presidente. Não há pesquisas na região, mas o apoio à Dilma restringe-se ao PT e algumas pessoas que não são filiadas ao partido, mas tem uma posição ideológica mais afinada com essa corrente política. A grande maioria quer Dilma fora do poder. Celso Maldaner, até ontem, claudicava na hora de analisar a posição sobre o impeachment. Oficialmente, estava em cima do muro.

 

Condena

 

O passado mostra que o eleitor não perdoa quem se omite ou vai contra a voz que vem das ruas. Nas Diretas Já, a região tinha uma liderança política muito promissora, que foi varrida das urnas. João Valvitte Paganella, ex-secretário do Oeste, foi eleito como um dos deputados federais mais votados de Santa Catarina, fazendo mais de 70 mil votos, um fenômeno nas eleições de 1982. Ficou contra as Diretas Já, que mobilizou o Brasil inteiro, como agora faz o movimento pelo impeachment de Dilma. Paganella, de fenômeno passou direto para o ostracismo. Nunca mais se elegeu para nada e acabou abandonando a carreira política. Nas urnas, o eleitor realmente não perdoa.

 

Difícil

 

Com a campanha eleitoral se avizinhando, a situação de alguns prefeitos da região parece muito difícil para quem pretende buscar a reeleição ou fazer o sucessor. Tem gente que já jogou a toalha e nem pretende tentar mais nada. Em alguns casos, apesar da insistência, a situação é tão grave que os atuais prefeitos correm o risco de fazer feio nas urnas. Em vários municípios, as chances da oposição cresceram muito em 2015 e principalmente neste início do ano, por conta da crise econômica, da falta de ação político-administrativa, da paralisia da máquina governamental, mas, principalmente, por causa de problemas mais graves, que geraram ações judiciais, bloqueio de bens e o risco de condenações.

 

Renovação

 

Na maioria dos municípios da região, a chance dos novatos cresceu nos últimos meses. A população não está mais tão propensa a avalizar políticos tradicionais, velhos projetos e o mesmo discurso surrado de sempre. Parece que a população está mais criteriosa e vai votar a contragosto. Se o voto fosse facultativo, a grande maioria nem sairia de casa. Os candidatos terão que fazer esforço muito maior para demonstrar qualidades, projetos, seriedade e, principalmente, honestidade. O passado mostrou a força do voto na região quando em 1985 varreu a Arena do cenário político. Era o pós-Diretas Já. O eleitor tem dado claros sinais de que vai limpar a casa novamente.

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