É hora de sair e entrar para a História

Euclides Staub- segunda-feira - 04/04/2016 Boca no Trombone

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Time to Go” (Hora de Partir) é o título do editorial da revista britânica The Economist, que estampa a foto de Dilma na capa da edição impressa para a América Latina. A publicação diz que Dilma “rejeitou o que vestia de credibilidade” ao nomear o ex-presidente Lula como ministro da Casa Civil.

O texto se refere à garantia de foro privilegiado que Lula passaria a ter. Com isso, obstruindo o rumo da Justiça. “Mesmo que essa não tenha sido sua intenção, esse seria o efeito. Foi o momento em que a presidente escolheu os limitados interesses de sua tribo política em vez do Estado de Direito. Assim, mostrou-se inapta a continuar presidente, afirma a publicação”.

A “The Economist” pondera três formas para a saída de Dilma Rousseff. Uma é a obstrução de Justiça nas investigações sobre a Petrobras e proteger Lula. Outra, a cassação de mandato por contas de campanha rejeitadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). E, ainda, a renúncia, que é a forma “melhor e mais rápida”, segundo a revista.

A revista defende que o Judiciário ou os eleitores devem decidir o destino de um presidente. Não os políticos que buscam satisfazer seus próprios interesses em um processo de impeachment.

Só que o texto ainda reconhece que os problemas do País não se resolvem com a saída de Dilma. Lembra que o PMDB, do vice-presidente Michel Temer, também está amplamente envolvido no escândalo de corrupção.

                          Lula pretende incendiar o Brasil

 

Não se sabe de onde o apedeuta tirou a ideia de que é capaz de incendiar alguma coisa. Tivesse ido à escola, Lula teria aprendido que o Brasil não se restringe a um partido político, a uma ideologia ou a uma facção criminosa. O Brasil é um país de dimensões continentais onde impera o estado de direito. Nem no império romano Nero foi bem sucedido com o incêndio. Pelo contrário, a sua morte foi bem recebida entre os senadores, a nobreza e a classe alta.

Em uma das conversas gravadas recentemente pela Polícia Federal, o ex-presidente gaba-se de ser “a única pessoa que poderia incendiar o país”. Eis aí a ameaça nada velada do chefão de provocar distúrbios caso o cerco judicial e político se feche de vez contra ele e contra seus lacaios. É claro que se deve levar a sério qualquer movimentação da tigrada para causar abalos à ordem pública, a título de defender o ex-presidente do que considera uma injustiça. Mas que não se exagere o poder de Lula, pois, neste momento, pode-se dizer que a única coisa que o autoproclamado Nero consegue reduzir a cinzas foi sua própria biografia e o pouco que restou da presidência de Dilma Rousseff e o PT.

Lula é um líder político que se diz “popular”, mas hoje não pode sair às ruas sem correr o risco de levar vaia. Também não viaja em aviões de carreira – prefere o conforto e a privacidade de jatinhos emprestados ou alugados, diz-se que pelo Instituto Lula, que, na verdade, é seu escritório político. Lula, ademais, só consegue comparecer a eventos estritamente controlados, em que a entrada é limitada àqueles que seguramente urrarão a cada bravata proferida no palanque.

Esse isolamento se traduz por sua crescente impopularidade. Segundo o Datafolha, a rejeição a Lula chegou a 57% dos eleitores. Nas classes mais pobres, reduto do voto lulopetista, já são 49% os que repudiam o ex-presidente.

O poder de Lula se restringe cada vez mais à voz de comando que tem sobre um punhado de sindicalistas e líderes de movimentos sociais, que, a título de proteger o genial guia da “perseguição” judicial, ameaçam transformar em milícias as organizações que chefiam, afrontando ainda mais a lei e ameaçando diretamente a democracia. Tudo para defender um projeto que transformou o Estado em fonte da preciosa boquinha que sustenta essa turma de vadios.

É preciso ser um seguidor muito fanático para não perceber que Lula é uma farsa, hoje devidamente exposta para todo o país. E de fanáticos não se deve esperar nada sensato. Por isso, se Lula realmente quiser tocar fogo no Brasil, é possível que ele tenha uns quantos sectários a apoiá-lo. Seria, no entanto, o último ato do “pai dos pobres”.



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