Fim da festa

- sexta-feira - 26/08/2016 Editorial

As Olimpíadas do Rio de Janeiro encerrou domingo, com um saldo extremamente positivo para o Brasil em termos de imagem perante o mundo. O evento atraiu mais de 500 mil pessoas ao Rio de Janeiro durante duas semanas. Apesar dos gastos astronômicos que superaram de longe os investimentos de outros países que foram sede, o saldo político é positivo.

Após meses de antecipação e de uma cobertura da imprensa nacional e internacional, que por muitas vezes ressaltou riscos de segurança pública, epidemia de zika, terrorismo, caos nos transportes e a corrida contra o tempo para finalizar as instalações de competição, os Jogos mostraram que, por um lado, alguns dos temores não se concretizaram e, por outro, problemas surgiram de onde menos se esperava.

A temida epidemia do vírus zika, que, entre os efeitos mais perversos, pode levar ao nascimento de bebês com microcefalia, foi apontada como uma das principais preocupações com os Jogos, e houve quem cancelou a vinda ao Rio por conta disso. Governo e organizadores foram questionados quanto às medidas de prevenção, mas a Olimpíada ocorreu sem menção a casos de pessoas que tenham contraído o vírus ou adoecido durante as duas semanas.

Segundo o Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil, somente entre 31 de julho e 6 de agosto 595 mil pessoas passaram pelos dois aeroportos do Rio e 715 mil passaram por Guarulhos. Apesar da demanda elevada e das filas na véspera dos Jogos, com o aumento da segurança, não houve caos aéreo e a média de pontualidade dos voos ficou em 95,6%, segundo o ministério.

Nas semanas que antecederam os Jogos, o Brasil empreendeu operações antiterrorismo que chegaram a prender mais de 10 pessoas suspeitas de atividades extremistas. Além disso, ataques em outras partes do mundo, ameaças de extremistas ligados ao grupo autodenominado Estado Islâmico na internet, mochilas abandonadas e alarmes falsos elevaram o grau de tensão no Rio com relação à possibilidade de um ataque, o que não se concretizou.

Num artigo publicado no início de julho, o jornal The New York Times chegou a decretar que os Jogos do Rio eram um "desastre" e uma "catástrofe". Na metade da Olimpíada, publicou um editorial em que dizia que o megaevento era visto como um sucesso. Pela primeira vez, o mundo se curvou ao talento nacional. Agora, com o fim de festa, é hora de o brasileiro voltar seus olhos para os graves problemas internos do País.

 

 

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