Agora, a realidade

- sexta-feira - 04/11/2016 Editorial


O final do processo eleitoral de 2016, com a realização do segundo turno na maioria das capitais e em muitas cidades com mais de 200 mil eleitores, assim como no primeiro turno, foi influenciado por temas ligados à crise política nacional. Em consequência, ficaram muitas vezes em um plano secundário, questões vitais nos discursos de palanque, por estarem ligadas ao cotidiano e para as quais os prefeitos eleitos agora precisarão apontar providências eficazes.

O desafio se amplia devido às inovações nas regras de campanha, que levaram muitos candidatos a chegarem ao final do pleito com suas contas no vermelho. A realidade também é que os orçamentos municipais não suportam boa parte dos compromissos assumidos pelos candidatos.

Realizada sem a possibilidade de doações por parte de empresas, a campanha municipal teve um custo incomparavelmente menor do que as anteriores, demonstrando na prática que dinheiro a rodo não é sinônimo de democracia. A redução de recursos permitiu uma campanha com menos papel nas ruas e forçou a maioria dos candidatos a trocar o marketing por um diálogo mais direto com os eleitores urnas.

Descrentes dos políticos, que em alguns casos até esconderam essa condição, os eleitores precisaram ser convencidos de que as promessas de campanha eram factíveis. Não foi missão fácil. Num país às voltas com o ajuste fiscal, muitos municípios já não contam hoje sequer com os recursos necessários para financiar questões essenciais como saúde e educação e para manter o pagamento da folha salarial dos servidores em dia. Até a posse, em 1º de janeiro, é possível que essa situação se mostre ainda mais deteriorada.

O descrédito para com os políticos fez com que essa campanha fosse campeã em votos nulos, brancos e também em abstenções. Na maioria das cidades onde houve segundo turno, o “não voto” foi maior que a votação obtida pelos vencedores. É um claro recado de que o brasileiro não quer mais ser obrigado a votar.



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