Últimas LEMBRANCAS DA ALEMANHA

  • Aprontando as malas para voltar ao Brasil

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    Maravilha O dia 13 de setembro de 2011 amanheceu nublado e assim permaneceu o dia todo. Cá e lá, chuviscos. Após o nosso "Frühstück", fomos ao centro da cidade de Limburg an der Lahn. A cidade antiga é fantástica. As "Fachwerkhäuser" (= casas estilo enxaimel) são muito bem conservadas e se constituem num especial atrativo para os turistas. Em cada rua, ruela, praça há uma ou mais páginas de história. Embora não sendo uma cidade grande - conta hoje com cerca de 40 mil habitantes - nos fins da II Guerra Mundial, Limburg também foi bombardeada, pois era lá que estava armazenada uma parte das temidas bombas V-1, V-2 e V-5. Meu anfitrião e eu fomos a diversos pontos históricos da cidade. Eu tinha interesse na aquisição de alguns livros, que eu ainda não tinha conseguido e, alguns outros artigos, como confecções. E as minhas malas já estavam quase cheias. E também era preciso ter cuidado para não exceder o peso permitido para cada passageiro. Na Livraria "Thalia", a maior da cidade - quatro andares dum prédio repletos com estantes e prateleiras com livros, para todas as áreas de estudo, que alguém possa imaginar - estavam lá disponibilizados. E assim mesmo, às vezes faltam livros, que aos compradores interessam. Eu não queria retornar da Alemanha sem antes ter comprado o livro "DER TAG M" (= O Dia M), do historiador militar russo, Viktor Suworow. E também lá ele estava em falta, ou melhor, "não disponível...!" Um funcionário me assegurou que - se eu o encomendasse - até amanhã ao meio dia, seguramente, a mencionada obra estaria lá para ser retirada. Encomendei-a. Após o almoço fomos à casa duma família amiga dos Schlensog, onde nos serviram café e bolo de maçã. A dona da casa nos contou que o café, que estavam nos servindo, era importado do Brasil. Sobre a qualidade daquela bebida não é preciso falar. Era um produto daqui, brasileiro, exportado para um país de consumidores exigentes... É! Após aquela "merenda da meia tarde", fomos a uma festa - a uns duzentos metros de onde nos encontrávamos - onde, entre outros atrativos, havia uma enorme feira. Utensílios domésticos, aparelhos eletrônicos, confecções, T-shirts com inscrições variadas e até indicadas na hora pelos interessados, era produzidos na hora e comercializados. Chamou-me especial atenção o fato de a maioria (...80%...) daqueles vendedores terem sido pessoas morenas e morenonas, que se expressavam num péssimo alemão. Isso não me deixava dúvidas de que não eram alemães. De fato, tive a informação de que se tratava de africanos e asiáticos, que - alguns até já moravam na Alemanha - mas a maioria eram "...comerciantes..." (...!!!), que por ocasião de feiras se deslocavam para cá e para lá, vendendo suas quinquilharias e assim ganhavam um pouco de dinheiro para poderem levar uma vida um pouco menos miserável em seus países de origem. "Estes ao menos trabalham e não nos roubam..." - disse-me o meu anfitrião. Comprei algumas peças com inscrições bem sugestivas para os meus familiares, especialmente lembranças para os netos... À noite, o jantar foi no terraço da casa da Família Schlensog. Era o meu último jantar na Alemanha, naquela tournée. O casal anfitrião, um filho, os três ingleses e este brasileiro de Maravilha. A refeição num ambiente e num clima eminentemente amistoso e familiar. Agradabilíssimo! Os ingleses ainda queriam saber algo mais sobre o Brasil, no que os informei. E, às minhas perguntas sobre a Inglaterra, também responderam prontamente. A conversa era em Língua Alemã. Apenas Mr Cooper, o ´Englishman´, somente falava Inglês. E confesso que tive minhas dificuldades em conversar com ele, pois, além de ser lacônico (de pouca conversa), a todo momento valia-se de gírias, que me deixavam literalmente "flying...!" Mas, eram pessoas muito amáveis, educadas e prestativas. O dia seguinte, 14 de setembro, era ensolarado e de temperatura agradável. Na parte da manhã ainda fomos à Catedral de Limburg, à estação férrea e à Livraria "Thalia" para retirar o livro encomendado. De fato, ele já estava disponível. (Lá as encomendas são entregues com incrível rapidez (...quando não há sabotagens...!!!)! Às 15:00 horas, almoçamos num restaurante típico, no centro da cidade antiga. Cardápio: cuca e café. De volta à casa, que me acolhera nos últimos quatro dias, tratei de empacotar tudo o que eu havia comprado, junto com inúmeros presentes. Na ida, eu levara uma mala normal, com uma outra dobrável dentro. Na mala de mão, tudo normal. Agora, para voltar ao Brasil, eu tinha as duas malas cheias e na minha valise de mão, nada mais cabia...! Herr Schlensog, que é "Gemeinderat" (= Conselheiro Comunitário = ´Vereador´) em Limburg, tinha sessão no final da tarde. Retornou às 19:20 horas para me levar ao aeroporto de Frankfurt, distante 75 kms. Malas feitas, despedi-me de Frau Schlensog e das duas inglesas e pegamos o trecho. Mr Cooper, o inglês, foi conosco. Em 45 minutos, estávamos no "Setor C" daquele aeroporto, que é o quarto maior do mundo. Despedi-me do Englishman e do meu último anfitrião na Alemanha, com o propósito e a certeza de um próximo "Auf Wiedersehen...! (= até breve)! Bagagens conferidas e entregues, fui à sala de espera, aguardando a ordem de embarcar. Aqueles minutos eram longos. Mas, finalmente, chegou a hora do embarque. Às 22:00 horas, o avião da TAM decolou do aeroporto de Frankfurt, rumo ao Brasil. Após 11:50 h de voo, aterrissou no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Às 10:00 horas do dia 15, em outro voo da TAM, prosseguimos viagem até Florianópolis. Às 13:45, num voo da Gol, segui até Chapecó, onde familiares meus me esperavam. E depois de exatos 99 kms de automóvel, chegamos em CASA, em MARAVILHA! Viagem cansativa, mas deveras valiosa.

    28/03/2012 Leia...

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  • Um dia em Heidelberg

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    Prof. Altair Reinehr em Heidelberg. (Cidade antiga, o Rio Neckar e a Ponte Romana.)

    Maravilha Na manhã de 12 de setembro o meu anfitrião, sr. Schlensog, havia alugado uma VAN, com a qual empreendemos viagem à mais antiga cidade universitária alemã, hoje em território alemão. (A mais antiga é Praga, hoje capital da República Tcheca.) Fomos em seis pessoas naquele veículo: Ortwin e Doris, os três ingleses e este brasileiro de Maravilha. Duas horas de viagem por autoestradas, lá chamadas "Autobahn" - muito modernas, embora fossem construídas ainda na década de 30...! Paisagens muito lindas. Terrenos muito planos, onde a agricultura é desenvolvida com a mais avançada tecnologia. Chegando à parte antiga de Heidelberg - a mais procurada pelos turistas - logo se notava o intenso movimento de bondes. Lá, nas cidades, o transporte coletivo é usado por todos. É muito mais intenso que o de automóveis. Mas a Cidade Universitária de Heidelberg tem muitos atrativos. A "Ponte Romana" e o Rio Neckar, cantado em prosa e verso, as mais renomadas Faculdades de Filosofia e de Medicina do mundo estão lá. Heidelberg, cidade dos Artistas, Poetas e Filósofos. O Castelo de Heidelberg - parte ainda bem conservada, outras partes já deterioradas. Dentre os tantos atrativos do castelo pode-se destacar o "Museu das Farmácias" e dois enormes barris de carvalho; um com capacidade para 132.000 litros de vinho e o outro para 222.000 litros. É! Bem assim. Foram mandados construir por Karl Theodor, de 1751-52. Nos dias de hoje a cidade também conta com um bem variado parque industrial. O primeiro ponto a visitarmos, foi o "Heidelberger Schloss" (= Castelo de Heidelberg), de onde também se tem uma boa vista para a cidade nova. Turistas de todo o mundo lá se encontravam. Depois, fomos ao centro da cidade velha, onde a arquitetura de diferentes épocas era notável e muito bem conservada. Flores nas soleiras das janelas, nas praças e em pequenos jardins davam um colorido todo especial àquela parte da cidade. Inúmeras livrarias, bazares, lojas e em inúmeros estabelecimentos já havia enfeites para o Natal à venda. Já eram mais de 14 horas e ainda não tínhamos almoçado. Ficamos de olho num local. Lanchonetes e restaurantes todos lotados. Em restaurantes ao ar livre, em praças, encontravam-se mesas. E foi assim que às 16:30 horas encontramos um lugarzinho para fazermos uma refeição. Era o nosso almoço... É! Os preços não eram exorbitantes. O atendimentos dos garções e garçonetes, muito eficiente. E aqui não é demais repetir que, para alguém ser garção nestes restaurantes, deve - "no mínimo" - saber falar duas línguas estrangeiras...!" É! Exatamente assim! Viagens e hotéis são caros na Alemanha. A alimentação, nem tanto. Após o nosso almoço ainda visitamos alguns pontos da cidade e lá pelas 18 horas empreendemos viagem de regresso a Limburg, por uma outra "Autobahn", igualmente muito bem conservada e com um intenso movimento de automóveis e caminhões. Em Mannheim vimos uma ´base militar dos USA...". (Após a reunificação da Alemanha, as tropas francesas, inglesas e russas se retiraram do país. As forças americanas, "nem todas...!" Elas ainda permanecem em três ou quatro bases... Por que será...?! Pouco adiante, vimos uma "ex-base americana", hoje totalmente abandonada. O nosso anfitrião observou: "onde os americanos uma vez acamparam lá ninguém mais quer morar, nem de graça...!" Em Oppenheim,margem esquerda do Reno, chegamos à casa dum vitivinicultor a fim de comprarmos vinhos. Era época da colheita, que era feita com máquinas... É um processo muito interessante. Explicou-nos como é feita esta colheita, como as frutas são esmagadas, como o suco é filtrado, como depois é feita a fermentação e como é aproveitada aquela parte da qual não é feito o vinho. Aquela família tinha dez hectares em parreirais e eles mesmos industrializam as safras anuais. Deram-nos para degustar dois tipos de vinho branco: Gewürtztraminer e Hortega. Excelentes vinhos brancos! Já era escuro, quando em Mainz transpusemos o Reno. Naquele trecho restante até Limburg, Herr Schlensog foi nos contando algo sobre o passado histórico daquela região. Disse que nos tempos dos romanos, lá também havia cercados e que - pessoas, para passarem de um lado ao outro - precisavam de permissões especiais. Portanto, neste sentido, o "Muro de Berlin" não foi algo inédito em nosso país - concluiu.

    22/03/2012 Leia...

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  • Em Niederheimbach, terra dos meus antepassados

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    Maravilha O dia 11 de setembro amanheceu ensolarado em Limburg. Após o "Frühstück", os três hóspedes ingleses, Frau Schlensog e o filho empreenderam viagem a uma cidade histórica da região. Herr Schlensog e eu seguimos a Niederheimbach, aldeia de onde em 1847 meus tetravós, Phillip Reinehr e Katharina Fink Reinehr - com os filhos: Johann, Anton, Jakob, Peter Josef e Maria Josefa, e mais alguns familiares - emigraram para o sul do Brasil. Em 3 de setembro daquele ano, desembarcaram em Porto Alegre, onde começou a história dos "Reinehr" no Brasil. No trecho a percorrer, passamos por uma região de extração de cal. Também passamos pela pequena cidade de Holzhausen an der Haide, onde, em 1832, nascera o engenheiro e inventor alemão, Nikolaus August Otto, inventor do primeiro motor de combustão interna de quatro tempos e determinou o ciclo teórico sob o qual trabalha o motor de explosão, o conhecido Ciclo Otto. A empresa por ele fundada existe até hoje, chamando-se atualmente Deutz A.G. Pois bem, após quase uma hora de viagem, por uma rodovia asfaltada mais antiga, de duas pistas apenas, passando por áreas agrícolas muito bem cultivadas, e também por bosques muito lindos - "românticos, alguém diria" - lá estávamos nós, à margem direita do Reno, onde aguardamos uns dez minutos até a chegada duma "Fähre" (= barca), que nos conduziria à outra margem do rio, onde está localizada a aldeia de Niederheimbach. Uma ilha em meio ao rio nos impedia de enxergar a aldeia do nosso destino de viagem. A expectativa era grande. Como seriam aqueles parentes de quem apenas por carta eu sabia algo... E o meu "ponto de referência" - Georg Reinehr - havia falecido há mais de um ano. É... Parentes... Afinal, 164 anos haviam passado desde a chegada dos imigrantes aqui no Brasil... E de lá para cá, nenhum contato mais houve... E agora, após mais de um século e meio, lá estava eu, a um quilômetro daquelas pessoas, buscando um "re-encontro...!" O meu anfitrião, Ortwin Schlensog, havia contactado em tempo com aqueles familiares e preparado tudo para quando da minha chegada. E como na Alemanha tudo é muito pontual - (...quando não há sabotagens praticadas por ociosos pseudo-exilados...) - o "Re-Encontro..." fora marcado para 14 horas, na "Alte Schule" (= velha escola), onde o meu tetravô e os filhos foram alfabetizados. E hoje uma Reinehr (Ulla Reinehr Gräf) é professora naquele estabelecimento de ensino. A travessia do rio com a barca é ininterrupta, em meio ao intenso movimento de navios. Barca atracada, os condutores com seus veículos foram autorizados a subir nela. Transpusemos o rio. Desembarcamos na sua margem esquerda. Ruas estreitas. Casas antigas em meio a construções mais recentes. Muita vegetação. Dum ponto mais alto, viam-se os parreiras de Lorch nas encostas do outro lado do Reno com seus arrimos inconfundíveis. Uma magnífica visão para o grande rio. Nas vias férreas, que o ladeiam, o movimento de trens também era intenso. Estávamos em Niederheimbach. Almoçamos num restaurante bem próximo à torre dum castelo medieval. Herr Schlensog me contou que eu teria uma recepção na Alte Schule, porque eu também era professor, um profissional muito valorizado e bem visto naquele país. Que o prefeito e o presidente da "Gemeinderat" - (= câmara de vereadores) - também estariam presentes... (...Na Alemanha, o Professor ainda é o "Herr Schulmeister" e a Professora é a "Frau Schulmeisterin...!" = Sr. e Sra, Mestre(a) Escola...) Enquanto almoçávamos, o céu foi se cobrindo com nuvens escuras, prenunciando chuva. Às 13:50 horas, chegamos à "Velha Escola", tempo suficiente para as apresentações e cumprimentos. Uma fina chuva começou a cair. Adentramos aquele estabelecimento escolar e pontualmente às 14:00 horas teve início a "Recepção", numa ampla sala do educandário mencionado. Lá estavam alguns "distantes parentes", que lá ainda residem. Seus sobrenomes: Gräf, Rademacher, Saueressig, Schreiner... Presentes também o prefeito, sr. Hans Wagner; o presidente da câmara municipal; sr. Heinz Rademacher; o historiador, Prof. Hans Schreiner. Todos tomamos assento ao redor duma grande mesa. Mapas da América do Sul e do Brasil estavam expostos na parede. Tratei de localizá-los para entenderem em que parte do Brasil nós vivemos. De um modo geral, os alemães, assim como os europeus em geral, têm mui poucos conhecimentos sobre o nosso país. E aquilo que sabem, aquilo que lá é divulgado, via de regra, não é muito recomendável... Assim como eu queria saber algo mais sobre aquela comunidade, e sobre a Família Reinehr de modo especial, eles também queriam saber algo sobre os descendentes de PHILLIP REINEHR e de KATHARINA FINK REINEHR, que há 164 anos haviam emigrado para o Brasil. Recebi muitas informações e também informei até onde eu tinha conhecimentos. O prefeito municipal, Herr Wagner, presenteou-me com um exemplar do livro Die Geschichte des Heimbachtals ( = A História do Vale de Heimbach), que conta a história daquela aldeia bem como parte da "história dos Reinehr". O historiador, Herr Schreiner, prestou mais algumas importantes informações, que me interessavam. No final, foram servidos chá e doces. Convidaram-nos para ir até a comunidade de Oberheimbach, distante a dois quilômetros.. Chovia copiosamente e por isso não conseguimos mais ver muitas coisas. Chegamos a um restaurante indicado, onde passamos umas duas horas, num animado bate-papo. O que mais os impressionou foi o fato de "um brasileiro falar fluentemente a Língua Alemã Padrão e também o ´dialeto hunsrückisch´, que lá é falado...!" A convite deles, "jantei às 17 horas daquele dia...!" Um bom vinho branco do Reno, fabricado em Niederheimbach, foi servido. Lá pelas 19 horas, despedimo-nos daqueles "distantes parentes e novos amigos", que lá conhecemos. Com chuva mais amena, empreendemos viagem de regresso a Limburg an der Lahn. Foi a realização de um sonho, um mergulho num passado, que eu não vivi.

    14/03/2012 Leia...

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  • De Dautweiler-hasborn a Limburg an der Lahn

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    Maravilha Ainda quando da nossa chegada ao aeroporto de Frankfurt, no dia 21 de agosto, lá estava me aguardando o meu amigo, Ortwin Schlensog, que eu conhecera em outubro de 1999, quando este integrava um grupo folclórico da Alemanha, que se apresentou no Centro Cultural 25 de Julho de Maravilha. Herr Schlensog me convidou para na noite do dia 10 de setembro participar dum encontro festivo de amigos, que uma Sociedade de Limburg an der Lahn estaria promovendo para recepcionar um grupo de amigos ingleses. E que queriam muito que um "outro amigo do Brasil" também participasse dessa confraternização, já que eu havia previsto estar em Limburg naqueles dias. Disse-me que às 16:00 horas do dia 10 de setembro estaria em casa do meu amigo, Armin Neis, em Alsweilwer, a fim de me buscar. Aceitei o convite. Realmente, no dia e hora marcada, lá estava o meu amigo. Despedi-me da Família Neis e empreendemos viagem rumo a Limburg, que levou cerca de três horas, de automóvel. Longo trecho, viajamos costeando a margem esquerda do Rio Mosel, com seus vinhedos, que encantam a qualquer viajante. A rodovia, de quatro pistas, construída na década de 30, ainda hoje é um exemplo de modernidade. Em Koblenz atravessamos o Reno, a mais importante via fluvial da Europa. Além do intenso movimentos de navios, as duas margens do "Vater Rhein" contam com bem modernas ferrovias duplas - uma pista que vai e outra que vem. Também há rodovias que margeiam o rio. Em Höhr paramos para visitar uma renomada fábrica de moringues e o museu anexo. Sempre fui curioso e ao chegarmos à residência da família Schlensog, tive a curiosidade em saber quem era "Phillip Reis", que dava o nome àquela rua. "Phillip Reis foi o inventor do telefone", respondeu-me, prontamente, o meu novo anfitrião. "Mas o inventor do telefone não foi Graham Bell...?" - redargui. Ortwin explicou que ambos eram pesquisadores da área e que Phillip Reis concluíra antes o seu invento, mas não teve pressa em registrá-lo. Foi aí que o americano, Bell, "aligeirou-se..." e registrou o invento em seu nome, dando uma pernada no alemão. Casos assim há muitos na história dos inventos, disse. E concluiu: "Quem não registra, não é dono...! Mas este registro está hoje até disponível na internet...!" (Tempos depois, já de regresso a Maravilha, certifiquei-me dessa verdade.) E de fato, muitos inventos são questionados... A "invenção do avião é requerida por diversos inventores!" Hoje, até a "Paternidade da Teoria da Relatividade" é questionada...! É...! Tudo acomodado em meu novo aposento, fomos ao local festivo já mencionado, onde alemães e ingleses confraternizavam. Eram quase todos casais já aposentados, que dedicam boa parte do ano para viajar e assim cultivar laços de amizade com grupos afins em outros países. 0 idioma alemão e o inglês eram usados bem ao natural. (A maioria dos ingleses falava fluentemente bem alemão. E a maioria dos alemães também falavam bem inglês.) E, entre eles, também apareceu um brasileiro... Não tive problemas com a comunicação. Aquele jantar até me pareceu bem sulbrasileiro... É! Carne suína bem assada, ao nosso modo, e um bem variado bufett. A bebida, chopp! (= Bier vom Fass, servida em copos de 300 e 400 ml... Na Alemanha não é costume servir cerveja em garrafas, nem em latinhas em restaurantes, bares e festas. Somente em bem vistosos copos...) À mesa, ao meu lado e à minha frente sentavam ingleses, muito simpáticos e comunicativos, predicativos estes que não condizem com a tradicional e conhecida frieza dos britânicos. Mas é claro, exceções sempre existem... E a nossa conversa foi muito agradável. Pessoas maravilhosas, aqueles ingleses. Foi através do sr. Ortwin Schlensog e de Erich Bauer, integrantes do grupo folclórico alemão, que estivera em Maravilha há doze anos, que eu recontactei com os "Reinehr", de Niederheimbach, terra de origem dos meus antepassados. Há 164 anos eles emigraram de lá para imigrar aqui, no sul do Brasil. Niederheimbach é uma pequena cidade à margem esquerda do Reno, em frente à cidade de Lorch. E para lá Herr Schlensog combinara me levar no dia 11 de setembro para um "reencontro de distantes parentes". Em casa dos Schlensog também estavam de visita um casal inglês com uma filha. Portanto, quatro visitantes estrangeiros. Antes de irmos dormir, o filho do casal anfitrião propôs ainda tomarmos "ein bischen Bier" (= um pouco de cerveja). Éramos em 7 pessoas. Um barrilzinho, de 5 litros foi aberto, e, consumido... A um sinal, também veio o guarda noturno e sua esposa. Também a eles foi oferecido um copo de "Bier vom Fass". A conversa era muito animada. A única pessoa, que não falava alemão era o inglês,Mr Cooper, para quem a esposa (inglesa), traduzia os tópicos principais. (Prossegue na próxima semana...)

    07/03/2012 Leia...

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  • Uma informação inesperada

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    Maravilha O dia 10 de setembro amanheceu com céu nublado e temperatura agradável na região do Saare, Alemanha. Após o "Frühstück", deixamos a pequena cidade de Alsweiler e fomos a Tholey, Theley, Limbach e Dautweiler-Hasborn. Eu sabia que desta cidade, na segunda metade do século XIX, diversos dos meus antepassados - Backes, Rohden, Braun, Hartmann, Kuhn - emigraram para o sul do Brasil. E eu queria saber algo mais sobre estas famílias. Inicialmente, do alto dum morro em Tholey, onde há uma estação termal, conversamos com um cidadão de sobrenome ´Schneider´, que nos disse que parentes seus haviam emigrado para o sul do Brasil, naqueles idos tempos, mas que haviam perdido todo o contato. Respondi a ele que isso era caso comum, quase geral. Notadamente após as duas guerras mundiais, estes contatos ficaram quase todos "a ver navios...!" Herr Schneider ainda nos deu algumas informações sobre aquela região, que foram deveras interessantes e úteis. Daquele local pudemos ter uma visão ampla do horizonte, ver inúmeras pequenas cidades, dentre elas, "Dautweiler-Hasborn". Meu anfitrião, Herr Neis, e eu fomos até aquelas cidades, que nos tempos da emigração eram bem distintas, mas hoje praticamente unidas. Para a má sorte minha, naquele dia não havia expediente nas repartições públicas em Dautweiler-Hasborn. Nem na igreja havia expediente. Não posso afirmar que era "feriado", pois o comércio funcionava normalmente. Aproveitei para fotografar o monumento dedicado a Nicolaos Warken, um líder minerador do século XIX. Fomos ao cemitério daquelas duas ´cidades-gêmeas´, a fim de ver se não havia túmulos antigos de pessoas com os nomes acima citados. Um cemitério com túmulos normais, baixos, muito bem cuidados. Ao fundo, na parte central, um monumento com os nomes dos soldados daquelas comunidades, que morreram nas duas grandes guerras. Muitos nomes conhecidos. Às margens dos canteiros, havia "miniaturas de túmulos" com as respectivas identificações. Eu já fora informado de que aquelas "miniaturas" continham as cinzas de pessoas falecidas, que foram cremadas... Até aí, nada de surpreendente, mas... Entre as pessoas, que estavam visitando túmulos, havia uma senhora, de meia idade, que se nos identificou como "eu sou uma Backes!" Falei a ela a quê eu aí me encontrava. Quando contei que meus antepassados "Backes" haviam chegado ao Brasil na segunda metade do século XIX - e que os antepassados destes foram enterrados antes, Frau Backes cortou a conversa e disse: "Keine Spur mehr!" (= Nenhum vestígio mais!) E prosseguiu: "Der Christ kann 30 Jahre beerdigt bleiben!" (= 0 cristão pode ficar sepultado 30 anos.). Alguma informação, apenas nos livros das igrejas. Perguntei o porquê disso. Aquela senhora explicou que após este período - se a família continuar pagando - o falecido poderá continuar na sua última morada. Do contrário, o túmulo será ´desocupado´ para ceder lugar a outro. Os restos mortais serão cremados e colocados num tumulozinho pequeno daqueles - "se a família assim o desejar..." - ou...(...!!!)!!! À primeira vista, aquela expressão "o cristão", eu a interpretei como nós dizemos: "o cara", "o gaudério", "o xiru..."... Mas, algo me dizia que não era assim... Arrisquei e perguntei: "Sim, e aquelas pessoas, que não forem cristãs...?!?!" A informante - que não esperava tal pergunta - meio assustada, olhou ao seu redor, e nos disse em meia voz: "Os judeus podem ficar enterrados para sempre...! Mas por quê?! - perguntei... A Alemanha não é um país democrático, onde a igualdade é assegurada por Lei...?!?! Aquela senhora, mais uma vez olhou ao seu redor, para ver se ninguém por perto a estava ouvindo, e disse-nos em voz baixa: "...é por causa daquela história do holocausto...!" E disse aquilo num tom como quem também não acredita naquela malfadada lenda, mas que na "democrática Alemanha de hoje, onde a ´liberdade de expressão é assegurada por lei...´, é crime inafiançável questionar aquele embuste!" Mas, "...democracia deve ser isso mesmo...!!!" Até a existência de DEUS - o Supremo Criador do Universo - pode ser negada, mas ai daquele que negar o tal "...holo...!” De lá seguimos rumo a Theley, onde almoçamos no Restaurante "Alte Mühle", localizado em meio a um bosque. Realmente, era um moinho muito velho, coberto com capim, transformado num chique e acolhedor restaurante, onde o visitante se sentia como num ambiente assim, há mais de duzentos anos. Maravilhoso! Após o almoço, meu anfitrião levou-me à casa dum historiador, que, com seus vastos conhecimentos em história do século XX, disse-nos que se sentia muito mal - em certas ocasiões - porque não aguentava mais as tantas escabrosas mentiras, que ainda hoje são espalhadas pra urbi et orbi, contra o seu país e contra o povo alemão. E que os governantes alemães do pós-guerra nada fazem para brecar esta enxurrada de difamações contra a Alemanha. Foram apenas duas horas de conversa, mas que foram da maior importância. Para as 16 horas, eu já tinha assumido outro compromisso e assim precisei me despedir daquela "Enciclopédia Ambulante", na esperança de um breve "Auf Wiedersehen...!"

    29/02/2012 Leia...

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  • Em três países num só dia...

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    Após dois imprevistos (sabotagens à linha férrea) na viagem de Düsseldorf - Mainz - Skt. Wendel - cheguei à casa do meu amigo, Armin Neis, em Alsweiler quando faltavam trinta minutos para 01:00 hora do dia 9 de setembro. Meu novo anfitrião havia preparado um frango à moda local para a "janta..." Muito bom! Àquelas horas, o cansaço já era notável em todos. E lá pelas 02:30 horas, fomos dormir. Acordei às 08:00 horas e após um bom "Frühstück" (café matinal), onde o pão de centeio sempre tinha o seu lugar, Armin e eu, empreendemos viagem à França, cuja fronteira distava a poucos quilômetros. Transpusemo-la entre as cidades de Merzig (Alemanha) e Thionville (França). Tal como eu já vira duas semanas antes, ao adentrar em território polonês (ex-Pomerânia alemã), também aqui não havia guardas fronteiriços. Apenas do lado francês, o ex-posto de controle policial estava em ruínas... (portas e janelas quebradas e o telhado detonado, prestes a cair.) Aquela região - Alsácia e Lorena - hoje francesa, ao longo dos séculos trocou várias vezes de dono: França x Alemanha. O que me chamou a atenção é que lá continuam existindo cidades com nomes alemães e outras com nomes franceses. A população é predominantemente bilíngue e, segundo informantes locais, nunca as populações foram expatriadas, nem perderam suas propriedades, quando a região trocava de "nacionalidade...!" E segundo as mesmas fontes, hoje há casos de propriedades rurais, onde a casa está num país e os galpões e estábulos no outro... As relações entre franceses e alemães - até onde me foi possível ver - são muito cordiais. Em estabelecimentos comerciais, onde chegávamos, a recepção sempre era cordial e não tivemos problemas com a comunicação. (Muito diferente era na ex-Pomerânia - hoje Polônia - uma região há muitos séculos habitada por alemães, onde as cidades tiveram seus nomes trocados e tudo o mais, que lembrasse a cultura alemã precisou ser eliminado... Todos perderam as suas propriedades. Hoje, sabe-se que em torno de um milhão e meio de pomeranos foram mortos naquela região. Outros tantos fugiram. Apenas uma minoria continua morando lá... E são estes que ainda falam a Língua Alemã. Os poloneses, por sua vez - "...isto, até onde me foi possível ver..." - de forma chauvinista, se orgulham em dizer que "aqui só se fala polonês...!" Raros falam um pouquinho de inglês... Inequívocas provas de atraso sociocultural, onde turistas mui pouco têm a esperar...!) Um dos locais, que queríamos visitar, era a parte interna - de parte - da famosa "Linha Marginot", (a subterrânea muralha de aço), em Hackenberg, que os franceses haviam construído para impossibilitar qualquer invasão inimiga. Por causa de uma informação incorreta, não pudemos visitá-la. Somente à tarde havia uma possibilidade de visitação, que iniciava às 15:00 horas. E nós chegamos meia hora depois. Paciência! E assim só pudemos ver uma das entradas e diversos pontos externos, camuflados, donde se atirava nos inimigos. Após visitar uma usina nuclear, próxima a Thionville, prosseguimos viagem rumo ao Grão-Ducado de Luxemburgo, cuja capital tem o mesmo nome. É um pequenino país, com apenas 2.586 Km², tem menos habitantes que a cidade catarinense de Joinville e a capital conta com cerca de 200 mil almas. E há três Línguas Oficias: a Alemã, a Francesa e a Luxemburgesa, que tem grande semelhança com o nosso "dialeto Hunsrückisch", largamente falado pela nossa população teuta do sul do Brasil. A capital, "Luxemburg", é muito limpa e bem organizada. Muitas flores. Muitos turistas. E muita gente vai ao Luxemburgo a fim de fazer compras. Produtos como o café, cigarros, farinha, combustíveis e outros são bem mais baratos naquele país. À tardinha, deixamos o Grão-Ducado e empreendemos viagem de regresso. Em Wadgassen ainda fizemos uma rápida visita a outro amigo, Rudi Zorzut, "um jovem com 90 anos de experiência de vida...", que há poucos anos, com Herr Neis, nos visitara em Maravilha. Ele não esqueceu que "Maravilha" significava "Wunderbar". E não poupou elogios ao sul do Brasil e de modo especial, a Maravilha. Com ele fomos jantar num restaurante chinês, cujo buffet e modo de servir me fizeram lembrar dos restaurantes do gênero de nossa região... E o preço nem era tão exagerado: um bem variado buffet e 800 ml de chopp = E$ 20,00. Ótimo! Para a realidade de lá, é um preço bem acessível (R$ 50,00...!)

    22/02/2012 Leia...

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  • Uma visita ao "Neanderthal Museum..."

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    Altair Reinehr e Jürgen Maiwald no Monumento ao Homem de Neanderthal (Local onde ele foi encontrado)

    Maravilha Ainda na noite de 7 de setembro, comentamos bastante os meios de transporte na Alemanha e a minha atual viagem pelo país. Herr Maiwald observou que eu estava tendo muita sorte com os trens, que até agora sempre foram pontuais. "Mas na Alemanha tudo é muito pontual, inclusive os trens" - observei. Meu anfitrião, balançando a cabeça de forma pensativa, esclareceu: "Aqui na Alemanha e na Comunidade Europeia como um todo, estamos nos deparando com um crescente problema. Para cá vem muita gente da Ásia Central e da África, sem habilitação profissional, dizem-se "perseguidos políticos", e nós temos de acolhê-los. Aqui vivem, moram, comem às nossas custas e nos dois primeiros anos estes "Scheinasylanten" (= pseudoexilados) não podem trabalhar. As fronteiras estão abertas, sem controle algum, o que facilita a locomoção dos habitantes desses países, mas também viabiliza a entrada de tudo quanto é tipo de marginal. E as "aprontadas..." (...sabotagens...) já fazem parte do nosso quotidiano. E os trens são alvos preferidos. A nossa tradicional pontualidade alemã - por causa desses sabotadores - já não é mais sempre assegurada...!" A la pucha - pensei cá com os meus botões... - viva a "...liberdade..., a igualdade e a democracia...!" E viva "a vagabundagem, a irresponsabilidade, a total falta de vergonha na cara e os ´...direitos humanos...´, tudo às custas de quem trabalha e paga impostos. E o meu colega ainda acrescentou, dizendo que estes pseudoexilados já têm proporcionado problemas à CE - e à Comunidade Alemã de modo especial. Não sei onde isso irá parar, finalizou. Mas o dia 8 de setembro amanheceu com neblina e era bastante frio, além do normal para aquela época. Eu havia levado cuia, bomba e um quilo de erva mate do Brasil e naquela manhã, preparei um "verde amargo". O casal Maiwald acompanhou cada detalhe com muita atenção e curiosidade. Ele observou: "Há 25 anos, lá na Áustria, você nos falou da ´caipirinha´ e do ´churrasco brasileiro´, que eu provei há cinco anos, quando estive no Brasil. Só o ´chimarrão´ vamos provar agora..." E gostaram. Aliás, gostaram muito! Tanto assim que eu acabei deixando para eles o meu material de chimarrão. (Para o Natal, enviei dois pacotes de erva mate para eles. E ficaram muito contentes com esta típica bebida sul-brasileira...) Após o chimarrão, tomamos o nosso "Frühstück" (café matinal). O que iríamos visitar para conhecer naquele dia...?! Jürgen Maiwald sugeriu diversos lugares, dentre eles, o "NEANDERTHAL MUSEUM", que ficava a três quilômetros da sua residência, na "Gemeinde" (= município") de Mettmann. Optei por conhecer aquele museu, cuja visita nos permite uma viagem a um passado histórico de muitos milênios. Lá foi encontrado "O HOMEM DE NEANDERTHAL", que viveu há dez mil anos, pelo arqueólogo alemão, Joachim Neander. Como o local do achado era num "Thal" (= vale), de propriedade do mencionado arqueólogo - "o Vale do Neander" - daí surgiu a denominação, "Neanderthal". O museu de Neander fica a cerca de cinquenta metros do local, de onde aquele primata foi encontrado. Outros humanos daquela época também podem ser vistos naquele local, que também nos dão a ideia de "como viviam os humanos" naqueles primórdios. Os humanos lá expostos, que viveram há muitos milênios, estão lá reconstituídos e podem ser fotografados e filmados pelos turistas. E para quem gosta de Ciências e temas dessa natureza, não pode deixar de visitar o "NEANDERTHAL MUSEUM" em Mettmann, bem perto de Erkrath, na região do Ruhr, quando por lá se encontrar. Em seguida, retornamos à casa da família Maiwald. O nosso almoço foi num restaurante próximo. Prato típico de lá, que em nada faz lembrar o nosso "espeto corrido", mas também muito bom. Por último ainda comprei algumas lembranças para meus familiares, em especial, para os netos. Meu colega levou-me até a estação ferroviária central de Düsseldorf, onde eu pegaria o trem a Mainz. Intenso movimento de passageiros. Pelos tantos idiomas que a gente podia ouvir, podia-se ter uma ideia das diferentes procedências daquelas pessoas. O serviço de alto-falantes a todo momento anunciava a procedência e chegada ou partida e destino dos trens, em dois ou mais idiomas. Faltando uns dez minutos para o meu embarque, um aviso inesperado: o trem, que vinha de Bremen com destino a Mainz, teria 28 minutos de atrazo. Não disseram o motivo, mas os locais o sabiam perfeitamente: "sa-bo-ta-gem...!" O recurso era esperar. Um vento gélido, que fazia lembrar o nosso minuano, fazia-se sentir. Lá fora, céu cinzento, chuviscos e muito frio. Finalmente, com 25 minutos de atraso, veio o trem com destino a Mainz. Despedi-me dos meus anfitriões e embarquei. O ICE (o brancão) pôs-se em movimento. Ouvi passageiros manifestando sua preocupação com o atrazo, pois em Köln ou Mainz não pegariam o trem para outros destinos. Esta era a minha situação, também, pois na capital de Rheinland-Pfalz (= Renânia Palatinado), eu disporia de dez minutos para desembarcar e tomar o trem com destino a Saarbrücken. Quando chegamos em Mainz, o meu próximo trem havia partido há oito minutos. Pedi informações. 0 próximo, só daí a duas horas. E o meu próximo anfitrião, sr. Armin Neis, estaria me aguardando na Estação Férrea de Skt. Wendel, às 21:00 horas. Finalmente teve início a próxima etapa da minha viagem. Mas, antes de chegar à primeira estação, uma "inesperada parada...!" Motivo, mais uma "aprontada daquela gente ociosa...!" Um passageiro de Ottweiler emprestou-me o seu celular, para eu poder me comunicar com Herr Neis, na Estação de Skt. Wendel, que me tranquilizou, dizendo que estaria à minha espera até a chegada do trem. Não importando a hora. Já com três horas de atraso, finalmente desembarquei em Skt. Wendel. A uns cem metros da parada, vi um VW Gol vermelho e ao lado um homem segurando uma Bandeira do Brasil. Era o pai do meu amigo, que eu iria visitar. Um reencontro de emocionar, ainda mais em se considerando a hora. Quinze minutos passavam da meia noite... Segue na próxima semana

    25/01/2012 Leia...

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  • Em Dresden, a bela Florença do Elba

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    Altair Reinehr em Viena. Aos fundos o Castelo de Schönbrunn

    Maravilha Eram 06:46 horas de 05 de setembro quando o trem, procedente de Viena, parou na estação férea principal de Dresden. Intenso movimento de passageiros nas plataformas. Nuvens escuras cobriam o céu. Chovia. O meu amigo, sr. Edgar Flämig, lá estava à minha espera. Bagagens colocadas no carro, dirigimo-nos à casa dele, uns quinze minutos de automóvel. Naquele percurso - com bosques e muita vegetação - também puderam ser vistas casas em estilo "pré..." e "pós 1945...!" Todas muito bem cuidadas, com flores nas sacadas e soleiras das janelas. Um capricho digno de nota. Ao passarmos pelo Dresden Stadium, perguntei ao meu anfitrião sobre o esporte nesta cidade, notadamente o futebol. Respondeu-me que o clube da cidade participa do campeonato nacional, mas não soube precisar se na primeira ou segunda divisão. Disse que desde a reunificação da Alemanha ele não liga mais muito para o esporte. E arrematou: "Hoje, o esporte não é mais esporte, mas negócio! Os clubes não são mais clubes, mas empresas. O Club Bayern München é hoje a maior empresa. Nos tempos da DDR (Alemanha Oriental), o esporte era acessível a todos e era lazer, integração e uma boa forma de educação. Hoje é tudo muito diferente. Muitas coisas, que se passam nos bastidores, não combinam com os princípios e valores, que eu defendo!” Chegando em casa do simpático casal Flämig, fui muito bem recebido, podendo me sentir, desde o primeiro momento, como se estivesse em casa. Indicaram-me o aposento, que eu deveria ocupar enquanto lá estivesse. Serviram um reforçado "Frühstück" (= café matinal) e a conversa foi muito animada. Perguntaram de pessoas amigas, que conheceram quando da sua estada em Maravilha, há cinco anos, bem como de familiares de Monte Carlo, Argentina, que eu visitara pouco tempo antes de viajar à Alemanha. Aqui é interessante mencionar que o casal Flämig - Edgar, natural do Harz e Christel, natural de Danzig - após a guerra foram levados à Rússia, onde, em São Petersburgo passaram a maior parte da sua juventude e parte da vida adulta. Além do idioma russo, lá também aprenderam polonês e tcheco. Lá estudaram e se formaram. Ele, em engenharia mecânica e ela em medicina. Lá se conheceram e lá também casaram. Mais tarde, vieram residir em Dresden e guardam mui boas lembranças da extinta DDR. Lá pelas dez horas, a chuva ficou mais amena. Decidimos ir para o centro. Sim, o centro histórico de Dresden vale à pena conhecer. E o atrativo maior é a "Frauenkirche" (Igreja de Nossa Senhora), uma referência mundial de Barroco Saxônico, que nas noites de 12 e 14-15 de fevereiro de 1945 fora literalmente destruída, assim como a maior parte da cidade, que na época contava com 650.000 habitantes, e, somados os mais de 500.000 refugiados, a população ultrapassava um milhão de pessoas, todas civis de todas as idades, pois àquela altura dos acontecimentos, Dresden já era declarada "CIDADE ABERTA". Hoje a cidade conta com meio milhão de habitantes. Muitos experts consideram aqueles ataques terroristas àquela cidade aberta como "O maior Crime de Guerra de todos os Tempos!" Mas desse "Holocausto Vivo e Real" não se deve mais falar hoje...! (...!!!)! E foi exatamente o centro artístico e cultural que sofreu os mais pesados bombardeios. Durante uma semana Dresden ardeu em chamas... Na década de 90, a Frauenkirche foi reconstruída com donativos oriundos das mais diferentes partes da Alemanha e de outros países, também. Mui pouco material da sua estrutura original pôde ser reaproveitado. Aqueles pontos negros, que aparecem em suas paredes atuais, são pedras da sua construção original, e, de propósito foram deixadas pretas, pois assim ficaram em decorrência das chamas, que devastaram a cidade toda. O pretume, visível em outros prédios históricos restaurados, também foi deixado, de propósito, para lembrar o efeito das chamas, causadas pelos intensos bombardeios aéreos dos aliados na II Guerra Mundial. Visitamos outras igrejas, o teatro a ópera e outros locais. Comprei alguns souvenirs e retornamos à residência do casal Flämig, um espaçoso e confortável apartamento, no terceiro piso dum prédio. Não era sua propriedade. Pagavam aluguel, assim como faziam na ex-DDR. O almoço, muito bom, mas muito diferente de tudo aquilo, que nós, aqui no sul do Brasil somos acostumados. E o fato de serem diferentes as refeições, tornam-nas agradáveis e inesquecíveis. É! À tarde fomos conhecer outros pontos históricos da cidade e à noite telefonei para casa e para três amigos, na Alemanha, que eu visitaria nesta tournée. A manhã do dia 6 foi ensolarada. Edgar levou-me a conhecer mais pontos da cidade e áreas agrícolas próximas. Destacava as diferenças de hoje com a realidade da ex-DDR. Estava contente pela reunificação do país, mas descontente com uma série de coisas, que agora não podem mais existir. A previdência social e o sistema educacional - disse - mudaram muito, para pior...! Visitamos o "Panômetro" - visita indispensável, para quem vai a Dresden, tal como a Frauenkirche - o centro da cidade, o "Zwinger", local onde animais eram sacrificados e outros. Ao meio dia, voltou a chover. Após o almoço, despedi-me de Frau Flämig e o meu amigo, Edgar, levou-me à estação ferroviária central, de onde empreendi viagem, rumo a Erkrath, na região do Ruhr.

    19/01/2012 Leia...

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  • Lembranças da Alemanha (IX): Em Viena

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    Palácio do Governo de Hofburg (em reforma) Daquela sacada, em 12-3-1938, Hitler proclamou o "Anschluss"

    Maravilha Após ter visitado o Castelo de Mirabel e a Fortaleza em Salzburg, Áustria, meus amigos, Thomas e Sabine Baumann, levaram-me à estação ferroviária daquela cidade. Às 21:01 horas do dia 2 de setembro o trem ICE (Inter City Express) deixou aquela estação, rumo a Viena, ou "Wien". Vagões espaçosos e muito confortáveis. Os funcionários do comboio - de modo especial os do restaurante - eram muito atenciosos e prestativos. Comunicavam-se, fluentemente, em diversos idiomas com os passageiros, o que na Europa é algo normal e necessário. Jantei a bordo. O prato: um sanduichão bem macanudo e 500 ml de cerveja por E$ 6,00. (R$ 15,00). Poucas paradas. Às 23:44 horas, o trem parou na estação central de Viena. (Os trens são muito pontuais...! Quando não há sabotagens...!) Lá estava a minha ex-colega, Dagmar Seitel e o marido, à minha espera. (Há 25 anos, num curso sobre artes cênicas e canto, em Matrei am Brenner, no Tirol, nós nos conhecemos). Um reencontro é sempre emocionante. Levaram-me ao seu apartamente, em pleno centro. O dia 3 de setembro foi maravilhoso. Céu azul, sem uma única nuvem. E o sol também se fez sentir. (Às 16:00 horas, 30ºC...)! Na parte da manhã, visitamos no centro, a "Stephanskirche", praças, monumentos, bosques e com uma carruagem, típica dos tempos imperiais, andamos por cerca de uma hora por "ruas e ruelas" do centro histórico. No transporte urbano a cidade é muito bem servida com bondes e metrôs. Almoçamos numa praça muito aprazível, à sombra de frondosas árvores. Fantástico! Os pratos eram diferentes dos que nós conhecemos aqui no sul do Brasil, mas também muito bons. "São diferentes!" E a cada almoço - nessa época de calor - nunca faltou o "Bier vom Fass!" (Chopp). Após o almoço, continuamos a nossa caminhada pelo centro da bela capital austríaca, que também é respeitosamente conhecida como "A Capital Mundial dos Grandes Músicos!" Sim, foi em "Wien" que gênios da música como Beethoven, Bach, Brahms, Chopin, List, Wagner, Schumann e tantos outros ganharam notoriedade. Mas não é só na música que Viena é renomada. No teatro, na pintura no traçado das ruas e praças, nos jardins, nas linhas arquitetônicas de seus prédios.Viena é, em suma, um Centro Mundial de Cultura, onde o tradicional e o moderno convivem harmonicamente; onde pessoas de todas as procedências se encontram. Viena Respira e Vive Cultura. À meia tarde retornamos ao apartamento, onde Dagmar nos serviu um "Apfelstruddel" (lanche típico, à base de maçãs.) Após o lanche da meia tarde, retornamos à estação de metrô e fomos à outra margem do Danúbio. Sim, o belo "Danúbio Azul". (Die schöne blaue Donau!) Sim, quem não já ouviu falar desse rio, que inspira músicos e poetas e encanta os visitantes...?! Ir a Viena e não ver o Danúbio, e não andar num navio sobre suas águas - assim dizem - é como ir a Roma e não ver o Papa...! Combinamos fazer esta viagem, de duas horas, no dia seguinte. Retornamos ao centro, onde, além da Câmara dos Deputados e da Sede de Uma renomada Universidade, conheci a "Praça Hofburg", com o Palácio do Governo, de cuja sacada, em 12 de março de 1938, Adolf Hitler proclamou oficialmente o "Anschluss" (anexação da Áustria à Alemanha), o que era o desejo da esmagadora maioria do povo austríaco. Observando bem a praça - espaço para uns 3 ou 4 campos de futebol - eu disse aos meus anfitriões: "mas neste espaço coube mais de um milhão de pessoas...?!" "Só aqui não - respondeu ele - naquele dia toda Viena estava na praça e nas ruas, aclamando festivamente o Adolf...! Praticamente toda a Áustria era a favor do Anschluss!” No nosso retorno ao apartamento, observamos pessoas oriundas de diferentes partes do mundo, dentre elas duas mulheres árabes, com a burca tão bem ajustada, que mal dava para se ver os olhos. Uma delas ainda usava óculos escuros... Esta - de óculos - empurrava um carrinho com uma criança de menos de um aninho de idade. A outra tinha nas mãos uma filmadora, "último grito" e filmava bem à vontade. Os meus anfitriões observaram: muitas dessas pessoas são turistas, que dentro de determinado tempo retornam aos seus países, mas muitos também são "parasitas...", ou "pseudo-exilados!" São pessoas, que não querem trabalhar, não têm profissão, vêm para países da CE (Comunidade Europeia), onde - pelas leis atuais - basta se identificarem e dizer que são "perseguidos políticos" e de pronto são abrigados. E tudo às custas dos que trabalham e pagam impostos. E isso é preocupante - disseram.

    19/01/2012 Leia...

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  • Um dia no lago Chiemsee

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    Casa típica na Fraueninsel

    Maravilha O dia 1 de setembro de 2011 foi predominantemente nublado e chuvoso no sul da Alemanha. No dia anterior, combináramos passar este dia no lago Chiemsee, o maior lago totalmente em território alemão. Está localizado no trecho entre as cidades de Rosenheim (Alemanha) e Salzburg (Áustria). O casal Zagler - Max e Christa - e a senhora Waltraud Baumann fizeram-me o convite. Foi um dia magnífico, apesar do mau tempo. No lago Chiemsee há três ilhas renomadas, que só podem ser alcançadas por navios. A maior é a "Herreninsel" = Ilha dos Senhores, onde está localizado o Castelo Herrenchiemsee, construído pelo Rei Luís II da Baviera. (König Ludwig II von Bayern). A visita ao castelo vale à pena, mas é preciso ter paciência nas filas de espera, pois naquela época do ano há um intenso movimento de turistas naquele país. Os guias falam diversos idiomas. E cada turista opta pelo grupo (do idioma) que melhor entender. Observei que havia um grupo, cujo guia falava tcheco e um outro, russo... (Isto, além de francês, inglês, italiano e alemão, é claro.) A expressão "nascer em berço de ouro" tem sua origem naquele castelo, onde o Rei morava. A "cama de ouro" (não berço...) está lá. É claro que não na forma original, pois aquela - feita com o metal precioso - teria sido raptada no final da II Guerra Mundial. Não é preciso dizer quem foram os raptores...! O "Tischlein, deck dich...!" (Mesa Encantada) também está lá, esta sim, em sua forma original. Quadros, lustres, obras de arte em geral e uma imitação à Sala dos Espelhos de Versalhes também estão lá. Para a locomoção dos turistas, há carruagens puxadas por parelhas de cavalos. Também há muitas trilhas, que viabilizam passeios a pé. Inúmeros restaurantes também existem na ilha, assim como tendas para a venda de souvenirs (lembranças). Da "Ilha dos Senhores" - com outro navio - fomos à "Ilha das Senhoras" (Fraueninsel). Lá, o atrativo maior é um convento de Irmãs Religiosas, que já existe há vários séculos. Os restos mortais de Carlos Magno estão lá enterrados. Anexo àquele convento, há um pequenos cemitério, muito bem conservado. Chamou-me a atenção que naquele local estão enterrados 4 ou 5 militares graduados, que morreram na II Guerra Mundial, dentre eles, o General Alfred Jodl (ladeado da 1ª e 2ª esposa), comandante supremo da Wehrmacht, naquele grande conflito. Casas em estilo enxaimel (Fachwerkhäuser) com amplos jardins, pomares e flores nas sacadas das janelas, além de uma tília (árvore) milenar são atrativos turísticos, que encantam os visitantes. A terceira ilha do lago Chiemsee, a menor, é a "Ilha dos Repolhos" (Krautinsel) de menor importância. Da "Fraueninsel" retornamos à terra firme. Lá, um pequeno trem - "Maria Fumaça" - leva os turistas até o ponto de estacionamento de carros, num trecho inferior a 500 metros. Aquela "minilocomotiva" é um atrativo especial para as crianças... À tardinha, o tempo limpou e uns tímidos raios de sol ainda puderam ser vistos. Empreendemos viagem de regresso à casa da família Baumann, em Grosskarolienenfeld. O casal Seyfried - Heinrich e Elfride - meus anfitriões há 25 anos, estavam lá. O reencontro foi emocionante. Logo perguntaram por amigos (pessoas ligadas ao nosso Centro Cultural 25 de Julho de Maravilha), que conheceram em 1982, quando o grupo folclórico "Stadtsingschule Kolbermoor" - em tournée pelo sul do Brasil - também se apresentou na Cidade das Crianças. Eles guardam em boas lembranças a hospitalidade das pessoas daqui. Que bom assim! E a boa conversa envolveu a todos. O tema preponderante foi: "Comunidade Europeia", que - da maneira que está - desagrada a todos. "Ninguém foi consultado sobre a oficialização da tal CE, nem para a adoção do Euro como moeda única. Tudo foi feito a toque de caixa. Além de as fronteiras estarem abertas, desguarnecidas para a entrada de tudo quanto é "...ralé...", esses elementos, quando chegam a um país da CE - com ou sem familiares - e se dizendo ´perseguidos políticos´, devem receber alimentação e teto. E o mais maravilhoso é que: NOS DOIS PRIMEIROS ANOS, NÃO PODEM TRABALHAR...! E tudo às custas dos que trabalham e pagam impostos - disse uma das pessoas presentes. Imaginem os leitores em que "parasitolândia" está sendo transformada a Europa...!” Quanto ao EURO - à primeira vista - tudo parece maravilhoso. No entanto, antes da oficialização da moeda única diziam aos alemães, por exemplo: "Um EURO valerá DOIS DM (Deutsche Mark). Quem agora ganha DM 2.000,00 passará a ganhar E$ 1.000,00. Isto de fato aconteceu. O que ninguém comentou antes foi que: por aquilo que se pagava DM 20,00, não se passou a pagar E$ 10,00, mas E$ 20,00. Aí fica fácil de entender que os adotadores do Euro - da noite para o dia - perderam 50% do seu poder aquisitivo... É! A janta mais uma vez foi no terraço. O prato, desta vez, foi típico da Baviera, mas a bebida, mais uma vez, um ótimo vinho tinto francês. Após a ceia, o casal Baumann - Thomas e Sabine - tinha preparado uma surpresa. Apresentaram mais de 200 slides sobre a viagem de há doze anos, que empreenderam por diversos países da América do Sul, diversos lugares do Brasil, com especial destaque à sua permanência de oito dias em Maravilha. Elogios e muitas boas lembranças da nossa querência.

    19/01/2012 Leia...

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  • Lembranças da Alemanha V: de Koszalin a Berlin

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    Altair Reinehr (com boné militar da ex-DDR) entre um soldado americano e um da DDR.

    São Miguel do Oeste Às 03:45 horas do dia 29 de agosto fomos acordados no Hotel Gromada, em Koszalin. O pessoal do restaurante fora avisado de que àquela hora estivessem a postos para o "café matinal", pois às 04:30 horas deixaríamos o hotel, empreendendo viagem a Berlin. Os que não quiseram tomar café tão cedo, receberam um sanduichão bem caprichado para levar junto na viagem. Foi o que eu fiz. Já era dia quando passamos por Szczecin, na fronteira com a Alemanha. O "Pommerland" - terra de muitos dos nossos antepassados - ficou para trás, mas um primeiro contato para uma reaproximação, para um novo intercâmbio fora dado. Toda aquela região faz parte da vasta "Planícia Germânica", que faz jus ao nome. A rodovia, uma "Autobahn" de quatro pistas, construída ainda na década de 30. Lavouras intermináveis, cultivadas com tecnologia agrícola de ponta. Muitas torres com enormes hélices para a geração de energia existem naquela região. Contaram-nos que hoje cerca de 20% da energia elétrica consumida na Alemanha é proveniente de energia solar e gerada por estas torres. E é propósito do governo alemão extinguir todas as usinas nucleares até 2020. Às 10:00 horas chegamos a Berlin. Estacionamos os dois ônibus em frente ao monumento do soldado russo, bem próximo ao Portão de Brandemburgo. Dirigimo-nos àquele local. Como "lembrança do Muro de Berlin" - na linha onde esse passava - há uma faixa bem visível de paralelepípedos. Do lado oriental do "ex-muro" havia inúmeros atores, trajados a rigor, relembrando soldados americanos, russos, franceses, ingleses, da ex-DDR = RDA + República Democrática Alemã e dos tempos do "Kaiser" (Império). Todos com as respectivas bandeiras na mão. Por E$ 1,00 ou E$ 2,00 cada turista podia tirar uma foto com estes "guardas-simbólicos" do passado. Um outro ator - mui bem humorado - fazia o papel dum guarda de fronteira da ex-DDR, satirizando a burocracia da época para alguém conseguir a permissão de entrada no país. Eram "apenas SETE distintos carimbos no verso dum postal pelo custo de E$ 2,00..." (Era sátira-política-histórica, pois eu lembro bem que em 1986 eu transpuz três vezes a fronteira de entrada da ex-DDR e não havia nada disso - passei SEIS vezes o muro.) Após inúmeras fotos com o "Brandemburgertor" de fundo - com e sem os atores citados - às 11:00 horas participamos dume "tournée" pela cidade, que durou duas horas. Dentre os tantos atrativos, um chamou especial atenção: num determinado ponto, ainda está em pé um trecho - 100 metros talvez - do histórico e temido "Muro de Berlin". Em frente ao mesmo, um velho "Trabi" (automóvel popular típico da ex-DDR) e vendedores ambulantes, que comercializavam bandeiras, fardamentos militares da ex-Alemanha Oriental. Também tinham à venda "pedacinhos do muro...!" (O nosso guia nos alertou, dizendo não ter certeza se esses "pedacinhos" eram autênticos...!") Como naquela época do ano as cidades alemãs fervilham de tantos turistas, oriundos dos mais diferentes países do mundo inteiro, não é fácil encontrar lugar em restaurantes. Naquele dia, almoçamos numa "Kneipe" (pequeno restaurante), em frente ao Hotel Maritim, onde estávamos hospedados. À tardinha, o Nilo Wirth, Leonídio Zimmermann, de Biguaçu, e eu fomos à Torre da Televisão, onde - a 203 metros de altura - há um amplo espaço circular, donde se pode ter uma ampla visão da cidade. A 207 metros de altura, há um restaurante giratório, que dá a volta em uma hora. Foi fantástico. O sr. Zimmermann fez a seguinte observação: "Eu sempre tive o sonho de um dia conhecer a Alemanha e particularmente Berlin. Mas este momento é o ponto alto da minha viagem. Sem viajar de avião ter esta magnífica visão aérea da capital alemã!” Retornamos ao hotel. Chuviscava. A temperatura, sensivelmente baixando. Em frente ao hotel havia uma enorme livraria. Pensei em adquirir alguns livros, que ainda me interessavam. Milhares de exemplares dispostos em diversos andares do prédio. Notei que havia muitos "livros-água-com-açúcar...!" Perguntei por, autores como: Paul Rassinier, Viktor Suworow, Gustav Sichelschmidt, James Bacque, Theodor Kaufmann, David Irving e outros. A vendedora me respondeu, meio sem jeito: "Estes livros nós não comercializamos...!" Mas havia à venda o mais polêmico livro alemão da atualidade: "DEUTSCHLAND SCHAFT SICH AB - Wie wir unser Land aufs Spiel setzen", do ex-diretor do Banco Central, Thilo Sarrazin...(...!)! No primeiro dia na Alemanha, ainda em Simmern, Hunsrück, eu havia com-prado este livro. Até então, quase cada dia eu comprava um jornal, que me recomendavam como sendo "muito bom e variado", pois me interessava saber algo que se passava no Brasil. Para a decepção minha, em nenhum daqueles diários eu encontrei algo sobre o nosso país. Mas - em contrapartida - muitas informações sobre os Estados Unidos e Israel...(...!)! E, muita, "muita água com açúcar" para não sempre dizer "besteirol puro...!" É! Para ser eufemístico eu digo que a imprensa de lá deixa muito a desejar...!

    19/01/2012 Leia...

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  • De Dresden a Erkrath

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    A Schwebebahn ( trem suspenso) de Erkrath

    Maravilha Às 14:23 horas do dia 6 de setembro o trem ICE = Inter City Express (o brancão) deixou a estação central de Dresden, rumo a Erkrath, na região do Ruhr. A primeira baldeação, em Hannover. Neste trajeto, de terras muito planas, a agricultura é muito desenvolvida. Poucas cidades de maior porte e algumas menores. Para quem sai do sul do Brasil, onde o transporte ferroviário para passageiros praticamente inexiste, não é fácil - à primeira vista - se achar naquelas estações, com intenso movimento de passageiros, mas eu já estava "relativamente familiarizado" com este meio de transporte coletivo. Afinal, para quem domina o idioma do país, onde se encontra, é bem mais fácil e rápida esta familiarização. Chegando em Hannover, havia oito minutos para desembarcar e embarcar no outro trem. Casoalmente a plataforma de embarque ficava a dois trilhos do qual eu me encontrava e o vagão, no qual devia embarcar, também estava próximo. Tarefa para dois minutos. Entre toda aquela gente, um senhor de meia idade, bem trajado e de boa aparência, com expressão facial que denotava preocupação e quase desespero, pedia informações numa língua que lá ninguém entendia. Pensei cá comigo: "será que esse cidadão não manja nada de inglês...?! Será que ele não sabe que raros são os alemães que não falam inglês, ou francês, ou outro idioma...?!" Aproximei-me do estranho e perguntei em inglês o que ele desejava. Oh - disse ele, respirando aliviado - eu quero ir a Hamburgo e não sei a qual plataforma de embarque devo me dirigir. Pedi para ver a sua passagem, onde constavam todos os dados: horário e plataforma de embarque, destino, número do vagão e número da poltrona. Sorriu satisfeito e me agradeceu pela ajuda. Perguntou-me de onde eu era. Do Brasil, respondi. "Oh, you are Brazilian...! You are from Brazil, Pelé´s country...! I am from Iran. I am an engineer. I am sorry, but I must go. Thanks a lot for your help! (= Oh, você é brasileiro...! Você é do Brasil, a pátria do Pelé...! Eu sou do Irã. Eu sou engenheiro. Sinto muito, mas eu devo ir. Muitíssimo obrigado pela sua ajuda!) E lá se foi sorridente o engenheiro iraniano. Em poucos minutos, a minha viagem também prosseguia. Agora, de Hannover a Wupperthal, onde haveria outra baldeação. Naquele trecho também predominavam as terras planas e agricultura. Chovia constantemente. Ao chegar a Wupperthal, já estava escurecendo. E um outro trem menor (modelo mais antigo), deixou a estação em poucos minutos. Naquele percurso, conversei com uma senhora de nome Andrea Lochstein, que disse ter parentes e amigos no sul do Brasil, num estado chamado Santa Catarina... Mas não soube dizer o nome da cidade...Até o meu destino naquele início de noite, havia mais poucas estações - duas ou três. Finalmente, o trem parou na estação de Erkrath. Lá estava o meu amigo e colega de curso de há 25 anos, Jürgen Maiwald, um professor de música e de canto coral, já aposentado. Um reencontro, após um quarto de século, é sempre emocionante. Alegre e comunicativo como sempre, Herr Maiwald ajudou-me a transportar minha bagagem até o carro dele e seguimos rumo à sua residência. Tal como nos lugares anteriores, aqui a recepção também foi muito calorosa e a gente pôde se sentir como se estivesse na própria casa. A boa cerveja alemã também foi servida como uma bebida de recepção, do mesmo modo como aqui no sul do Brasil a gente costuma servir um chimarrão às visitas. A janta, consistia duma "Gulasch Suppe" (= Sopa Gulasch). Muito diferente do modo de alimentação aqui em nossa região, mas muito bom, também! Assuntos não faltaram e assim uma conversa bem animada se estendeu até 01,00 da madrugada, quando vimos que já era outro dia, o dia 7 de Setembro no Brasil. (...e na Alemanha também tem 7 de setembro...) Fomos dormir. O dia 7 de setembro amanheceu ensolarado em Erkrath. Como éramos todos aposentados - exceto a dona da casa, Dona Astrid Maiwald, que estava de férias - não precisávamos correr contra o relógio e asim aproveitamos para dormir até 08:00 horas da manhã. O "Morgenfrühstück" (= café matinal) foi servido às 09:30 horas. Saímos de Erkrath e fomos a Wupperthal, cidade próxima, que oferece muitos atrativos aos visitantes, dentre eles o "TREM SUSPENSO", único do gênero no mundo, constituído de dois vagões apenas. Viajamos nele em todo o seu percurso - ida e volta. É algo fantástico. Depois, fomos à feira livre, onde os agricultores trazem os seus produtos e os vendem diretamente aos consumidores. Aquela feira livre em muito fazia lembrar estabelecimentos do gênero, aqui, em nossa região. Chamou-me a atenção a grande variedade de embutidos de carne... Bem mais que aqui. É! Produtos como a "Sülze" (= geleia de carne, em formato de mortadela) e tantos outros, que, antigamente, em casa dos avós a gente conheceu e consumiu, mas que hoje ninguém mais tira o tempo para fazer...! (...E assim, muitos importantes aspectos culturais são perdidos... É lamentável...!) Após visitar alguns lugares históricos, comprei alguns postais e retornamos à casa dos meus anfitriões. Como "o tempo era nosso", almoçamos às 14:00 horas. À tarde - após percorrer diferentes trechos e conhecer algo mais da região - fomos a um castelo, que naquele dia não estava aberto para a visitação pública. Assim mesmo, pudemos percorrer os jardins, que rodeiam o mesmo, numa área considerável. E num restaurante anexo àquele castelo, tomamos um "Schnellimbiss" (= lanche rápido), muito gostoso

    12/01/2012 Leia...

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  • Lembranças da Alemanha (VI): depois de Berlin

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    Altair Reinehr, na entrada do túnel de 100 metros, que dá acesso ao elevador dourado, que sobe 126 metros...

    Maravilha O dia 30 de agosto amanheceu nublado em Berlin. E era o nosso último dia de viagem patrocinada pela Malwee de Jaraguá do Sul na Alemanha. Após o café matinal, as malas foram carregadas nos dois ônibus, contratados para o transporte da delegação de 80 teuto-brasileiros por aquele país e também na Polônia. Como eu havia optado por mais 15 dias, por conta própria, despedi-me do grupo. Um outro companheiro de viagem ficou em Berlim. Eu segui de trem até a pequena cidade de Grosskarolienenfeld, próxima à fronteira da Áustria. Neste período, visitei amigos e parentes, que eu ainda não conhecia. Às 9 horas, pedi um táxi para me levar à estação central do trem. O taxista, um nigeriano possante, muito atencioso. Apesar de já viver mais de vinte anos naquele país, o seu domínio da Língua Alemã não era muito fluente... Mas, com as indicações daquele africano, foi rápido me localizar naquela estação férrea. Ao adquirir a passagem, a funcionária me propôs adquirir a "Bahn Karte" = (cartão do trem), com o qual, durante 4 meses, eu teria um desconto de 25% na viagens de trem, em todos os países da CE. Adquiri-o. E valeu a pena! Às 09:30 horas, o ICE = Inter City Express (o brancão...) deixou a capital alemã, rumo a Fulda, onde houve baldeação. A maior parte do trecho, terras muito planas e pequenas aldeias. Depois, muitos túneis. Em Munique, outra baldeação. Após uma hora de espera na capital da Baviera, finalmente num trem convencional - muito diferente do ICE - cheguei a Grosskarolienenfeld, quando eram 17:30 horas. Na estação, a senhora Baumann com um filho de 4 anos me esperavam, ambos com uma bandeirinha do Brasil na mão. (Este gesto eu tornaria a ver mais vezes: ser recepcionado com uma bandeira do Brasil... Um gesto muito simpático, diga-se ao bem da verdade.) Levaram-me à casa deles. Sobre a porta de entrada, uma bandeira brasileira em tamanho grande, hasteada...! Que emoção! Após acomoda a minha bagagem, no aposento indicado, desci ao terraço, onde tive a maior surpresa: um "chimarrão" estava preparado para mim. Sim, exatamente isso. Um "verde amargo...!" ´(É verdade que a cuia e a bomba, nove anos antes, foram adquiridas em Maravilha, mas a erva era recente - pelo visto procedente da Argentina - mas empacotada em Berlin, em pacotinhos de 200 gramas...). O dono da casa, Thomas Baumann, chegou em seguida. E para o jantar, ele preparou algo, que faz lembrar o nosso churrasco, mas feito à moda alemã. Mesmo estando na Baviera, a bebida não era cerveja, mas vinho tinto francês de ótima qualidade. O dia 31 de agosto amanheceu com intensa neblina em toda a região dos Alpes. Eu havia combinado com Herr Baumann de - nesta viagem, dentre outros locais - visitar e conhecer a "Kehlsteinhaus" - ou seja, "O Ninho da Águia" - a casa de verão de Adolf Hitler no topo dos Alpes bábaros, a 1834 metros de altura. A distância é superior a 100 kms. É um local magnífico, de onde se tem uma visão de toda aquela região. Chegar àquele ponto, é uma aventura. Os últimos 126 metros são feitos com um elevador todo revestido em ouro, em sua forma original, onde cabem mais de 20 pessoas. Um longo trecho anterior, é feito de ônibus. A via é asfaltada e de uma pista só. Não há como dois veículos se cruzarem. O trânsito é rigorosamente controlado. (Quem sofre de tonturas, tem duas opções: fechar os olhos naquele percurso, ou deixar de percorrê-lo...) Durante os meses de inverno - devido à neve - aquela estrada, que dá acesso ao "Ninho da Águia" - é intransitável. Além da vasta visão panorâmica, que os turistas têm naquele local, o fato de ser um lugar histórico é outro importante atrativo. Hoje, a "Kehlsteinhaus" - além de museu - é restaurante. E os preços não são exorbitantes. São os mesmos praticados nos restaurantes em cidades menores, ou maiores... Mas, em se falando de preços, lá também há diferenças. Um só exemplo: em Kolbermoor, Alemanha, eu queria comprar quatro pilhas pequenas para a minha máquina fotográfica digital. Quatro pilhas custavam E$ 6,00. Herr Baumann me alertou: "no trecho, que iremos percorrer até o Ninho da Águia, nós passaremos um curto trecho pela Áustria, onde há um supermercado, com preços mais em conta..." Pois - pasmem os leitores - naquele mercado na Áustria, por 16 pilhas pequenas, eu paguei E$ 2,00...! É! Exatamente isso...! De retorno a Grosskarolienenfeld, Frau Baumann já tinha o jantar encaminhado. Antes de escurecer, a ceia estava encerrada, mas permanecemos no terraço. Conversamos sobre um tema, que nos dias anteriores eu ouvira muito e durante aquele dia, também: "Comunidade Europeia!" Pois a tal CE não é lá tão bem vista na Europa como à primeira vista nos parece... Até onde me foi possível ver - segundo alemães, austríacos e franceses - há mais "contras" do que "prós...". Antes da oficialização da CE, contavam-nos das vantagens, dum intercâmbio mais facilitado, de maior liberdade de locomoção... O que ninguém falou e ninguém pensou, era que, com fronteiras abertas, sem Polícia nas fronteiras, sem controle algum, a passagem para bandidos e pseudoexilados também estava viabilizada. E com algumas "...leis da CE...", bandidos, vagabundos e outros parasitas podem vir aqui fazer e desfazer, deitar e rolar e são bem protegidos pelas "...novas leis...!" E tudo às custas dos trabalhadores e pagadores de impostos, dizem eles.

    23/11/2011 Leia...

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  • Da casa do Papa à casa de Adolf Hitler

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    Maravilha Sexta-feira, dia 2 de setembro. Fins de inverno no Brasil. Dia nublado e com seguidos chuviscos no sul da Alemanha. Os alemães - que sempre acham um motivo para festejar - mesmo ainda sendo verão, a "Herbstfest" (Festa de Outono) estava sendo comemorada, a todo o vapor, na cidade de Rosenheim, a menos de dez kms de Grosskarolienenfeld. As atrações eram as mais variadas imagináveis. Roda gigante, montanha russa, tiro ao alvo, locais apropriados para dançar e não faltavam as bandas típicas, que animavam a todos. Ah, os restaurantes típicos, com típicos pratos da Baviera e de outras regiões do país. Com cada prato cabia muito bem um "Bier vom Fass (Chopp)", oriundo das duas cervejarias existentes naquela cidade. No dia anterior, em casa dos Baumann, combinamos ir àquela festa. Fomos. Não foi fácil encontrar um lugar para estacionar o carro. Finalmente, "no 6º andar duma garagem", encontramos lugar. O aluguel do espaço, todo controlado eletronicamente, é pago pelo tempo em que o carro fica lá estacionado. Por cerca de duas horas andamos por aquele amplo espaço da "Herbstfest", que em muito fazia lembrar a "Oktoberfest" de Munique, apenas em proporções bem menores, é claro! Almoçamos num restaurante, que apenas servia pratos a base de peixe. E a bebida não era vinho branco, mas "chopp!” Thomas e Sabine Baumann se prontificaram em me levar até Salzburg, na Áustria, de onde, à noite, eu tomaria o trem, rumo a Viena, capital da Áustria e "Capital Mundial dos Grandes Músicos". No trajeto de Rosenheim a Salzburg, haveria três pontos a serem visitados: o primeiro, em Marktl, às margens do Rio Inn, visitar a casa onde nasceu Josef Alois Ratzinger, o atual Papa Bento XVI. Para lá seguimos viagem. Não foi difícil localizar aquela casa, que hoje está transformada em museu. Realmente, é uma sensação estranha adentrar aquela casa de classe média, dois andares, onde em cada espaço e a cada passo a gente parece estar "respirando santidade". Inicialmente, paga-se o ingresso. Passo contínuo - independente do número de pessoas - numa sala muito limpa, atipada e calma, pode-se assistir a um filme, de menos de meia hora, onde é contada a história do menino, Josef, caçulinha da Família Ratzinger, desde o seu nascimento, até os dias de hoje. Também podem ser adquiridos postais e outras lembranças naquele museu. Marktl é uma pequena cidade, à margem esquerda do Inn. A limpeza das ruas e as flores são atrativos, como em todas as cidades alemãs. As pessoas são simpáticas e nada diferencia o seu modus vivendi dos alemães de outras pequenas cidades da região. E como é normal naquele país, até em pequenas cidades e aldeias há cervejarias. E a cidade do Papa não foge a essa regra. Mas, há um detalhe: a cervejaria local fabrica uma cerveja marca "Pabst Bier" (Cerveja do Papa), que pode ser adquirida em todos os mercados, bares e restaurantes. Nas garrafas e copos está estampada uma foto de "Pabst Ratzinger", muito sorridente e simpático. Após termos visitado a "Pabst Stadt" (cidade do Papa), prosseguimos viagem até Braunau, à margem direita do Inn, 16 kms adiante de Marktl. Braunau é a cidade natal de Adolf Hitler, que após uma infância bastante infeliz, teve uma adolescência e juventude marcada por enormes dificuldades, sacrifícios de toda a ordem e notadamente incompreensões. Após a I Guerra Mundial, passou vários anos numa prisão em Landsberg, onde escreveu o seu livro "Mein Kampf" (Minha Luta). Depois, ingressou na política e em 30 de janeiro de 1933 foi nomeado Chanceler da Alemanha. Neste posto, realizou algo inédito e até hoje não imitado. Num curto espaço de tempo, acabou com o problema do desemprego de 6 a 7 milhões de pessoas, revitalizou a indústria, moralizou os serviços públicos e transformou a Alemanha num canteiro de obras. Por sua iniciativa, a Alemanha foi dotada de rodovias - por muitos ainda hoje consideradas - as mais modernas do mundo. E isso foi na década de 30...! Enquanto tudo ia bem, sua popularidade como estadista crescia, chegando a ter mais de 90% de aprovação. A "história oficial" o considera como o causador da II Guerra Mundial, o que cada vez mais está sendo questionado por historiadores de renome de diferentes países. Encerrado o conflito, com a derrota da Alemanha e seus aliados - de "estadista mais amado e mais popular do mundo" - foi jogado no outro extremo. Hoje - oficialmente - é o estadista mais odiado, notadamente na Alemanha, onde é proibido "FALAR BEM DE HITLER", publicamente. Nem é permitido lembrar obras reconhecidamente positivas. (Aqui convém observar o seguinte: nas escolas dos países europeus, não se ensina a conhecer o governo de Hitler, nem o que era o Nacional-Socialismo, mas ensina-se a odiar ambos.) E tudo isso em nome da democracia, da verdade e da "...liberdade de expressão...!” A casa, onde Hitler nasceu, localiza-se numa esquina duma ampla avenida, no centro de Braunau. Tem três andares e não está aberta à visitação. Em frente à casa há uma enorme pedra, onde, de um lado lê-se: "Stein aus dem Konzentrationslager Mauthausen" (Pedra do campo de concentração de Mauthausen). Do outro lado há a inscrição: "Für Frieden, Freiheit und Demokratie. Nie wieder Faschismus. Millionen Tote Mahnan". (= Para a paz, liberdade e democracia. Nunca mais fascismo. Milhões de mortos advertem". ) Não é mencionado o nome do "Adolf...!" Por que será...?! Feitas as fotos e outros registros, que me interessavam, deixamos a encantadora Braunau e prosseguimos viagem rumo a Salzburg, a "Cidade de Mozart", um dos mais proeminentes músicos de todos os tempos. Salzburg, CIDADE MARAVILHOSA! (Wunderschöne Stadt!) Quem vai a Salzburg, deve obrigatoriamente visitar o Castelo Mirabel e a Fortaleza, no topo duma "minimontanha", donde se tem uma visão bastante ampla da cidade. O difícil é chegar lá, pois não há como subir com carros. O trajeto deve ser feito de "Ji-pé" mesmo. Ou então, de "Volks-Perna...!" Vale à pena! (...E haja preparo físico...!)

    09/11/2011 Leia...

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  • Em território polonês

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    Maravilha Viajando de Lübeck (Alemanha) a Szczecin (ex-Stettin), às 13:00 horas do dia 26 de agosto transpuzemos a fronteira dos dois países. A um km da divisa, havia um posto alfandegário e um restaurante. O nosso guia, sr. Henry Fred Ullrich, de Jaraguá do Sul, sugeriu-nos que não trocássemos mais de E$ 50,00 (Euros), pois a moeda polonesa, o "Sloti", pouco valor tem e no mais, nós não teríamos muito a comprar naquele país. Assim fez a maioria. E$ 50,00 = S$ 200,00 Slotis. No próprio restaurante havia um posto de câmbio. A funcionária falava um razoável alemão. Ela nos avisou que - neste local - poderíamos pagar com Euros, mas que adiante, todos os pagamentos deveriam ser em "Slotis". Entre os tantos garções, apenas uma funcionária falava um pouco de "Deutsch". Lá ninguém falava inglês, nem francês, nem espanhol, nem italiano... Os leitores podem imaginar como foi aquilo... O almoço foi demorado e um tanto confuso. Havia quatro tipos de almoço, tudo a la carte. É verdade que servir 80 pessoas não é tarefa fácil, mas eles haviam sido comunicados. E estavam preparados, mas, "A COMUNICAÇÃO" passou a ser um constante problema para a nossa delegação. Raros eram os poloneses, que falavam uma outra língua. O almoço, que nos serviram, era muito bom. A cerveja, também! À meia tarde, chegamos ao Hotel Focus (****) em Szczecin. Muito bom. Mas, quando da nossa chegada, entre o pessoal da recepção, apenas uma funcionária falava inglês. E poucos integrantes do nosso grupão falavam este idioma. À noite, veio a gerente do estabelecimento, que falava bem alemão. Aí a coisa melhorou. Ainda à tarde, logo após a nossa chegada, fomos a um Centro de Compras a fim de comprarmos algo como lembrança da nossa passagem pela ex-capital da Pomerânia. Em dois estabelecimentos, de alemães, fomos bem sucedidos. Nos demais, notamos que - ao falarmos um outro idioma - alemão ou inglês - eles reagiam com indiferença, virando-nos as costas. Muito esquisito...! À noite, uma confraternização entre os integrantes da delegação brasileira, num restaurante típico, em frente ao Hotel Focus. Excelente! Às 08:30 horas do dia 27 de agosto, viajamos de Szczecin a Resko (ex-Regenwalde). Autoridades e lideranças da comunidade pomerana, que lá ainda vive, nos recepcionaram festivamente. Em nome de todos, o prefeito, sr. Arkadius Czerwinski, convidou-nos para um "Café de Boas Vindas", num local bastante amplo, quando também teve lugar um cerimonial de apresentações. Foram momentos emocionantes. Depois, houve tempo para caminhadas pela pequena cidade, que até 1945 era alemã e hoje é polonesa. A maioria da população pomerana foi expulsa e os que lá permaneceram formam hoje uma minoria. O almoço foi uma cortesia da Prefeitura de Resko, no mesmo local do "Café de Boas Vindas!". Muito bom! O prefeito, Czerwinski, fala bem inglês e assim pude me comunicar com ele. Contou-me que Resko conta com cerca de oito mil habitantes e que a principal indústria do município é a fabricação de móveis, que emprega 800 operários. A agricultura é outra importante atividade. Era período de férias escolares. Assim mesmo, ele me levou a visitar o principal Educandário de Resko, um ginásio de esportes e contou que na Polônia, hoje, não há analfabetos. Quando já nos preparávamos para partir, surgiu um grupo de crianças, de 8 a 12 anos, curiosas para saber e "ver como são os brasileiros...!" Um menino perguntou-me, em alemão, se nós éramos do Brasil. Respondi que sim e perguntei o que eles sabiam do Brasil. "Ah, a professora nos contou que o Brasil é um país muito grande" - respondeu o garoto. Perguntei se eles conheciam, se já ouviram falar de algum brasileiro. O garoto respondeu: "Sim, Lula e Ronaldinho Gaúcho...!" Lá pela meia tarde despedimo-nos dos nossos simpáticos anfitriões - pomeranos e poloneses - de Resko e retornamos a Szczecin, onde, num castelo, havia um festival de danças folclóricas. Grupos poloneses, tchecos, húngaros e sérvios se apresentaram. Da delegação teuto-brasileira apresentaram-se os grupos "Pommerland" de Santa Maria de Jetibá-ES e o grupo "Katzenberg" de São Pedro de Alcântara-SC. Encerradas as apresentações, deixamos a "ex-Stettin" e rumamos para Koszalin (ex-Köslin), onde também ainda vivem grupos minoritários de pomeranos. Fomos hospedados no Hotel Gromada (****). Muito bom! Na recepção sempre havia uma pessoa, que falava alemão, inglês ou espanhol. No restaurante anexo, todos falavam alemão. Na manhã seguinte - domingo, dia 28 - num pequeno grupo fomos à Igreja principal de Koszalin, onde em anos passados o Papa João Paulo II celebrara uma Santa Missa. Adentramos a igreja, que estava repleta de fiéis. Assistimos parte, sem entendermos uma só palavra, que o celebrante falava. A missa - é claro - era em polonês. Nas vitrines de lojas de materiais esportivos, podiam ser vistos cartazes com fotos de renomados desportistas, mas o destaque - em todas - era o brasileiro Kaká. Às 10 horas, empreendemos viagem à bela cidade balneária de Kolobrzeg (ex-Kolberg), no Mar do Leste (Ost-See). A comunicação voltou a ser um problemão. Nos restaurantes de poloneses, quando pedíamos algo em alemão ou inglês, respondiam-nos que "Aqui só se fala polonês...!" O grupo se dividiu, indo almoçar onde conseguiam se comunicar com os garções. Naquela cidade os dois grupos de danças folclóricas alemãs do Brasil deveriam se apresentar às 16:00 horas, mas, em virtude dum "mal-entendido" - na hora marcada e no local determinado - não encontramos ninguém. Buscamos contatos em diferentes pontos - inclusive na agência central de turismo de Kolobrzeg e ninguém sabia de nada. Acabamos retornando, sem os grupos se apresentarem. Quando estávamos chegando a Koszalin, chamaram-nos por telefone, pedindo que os grupos se apresentassem. Muito nervosos e irritados, vieram atrás de nós, mas provamos a eles que "a culpa não era nossa!" Mal-Entendidos...?! Não! O horário não fora cumprido...!

    20/10/2011 Leia...

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  • Primeiro contato com os pomeranos

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    Maravilha O dia 25 de agosto amanheceu com muita neblina. Temperatura agradável. Estávamos hospedados no Hotel "Vier Jahreszeiten", em Lübeck, cidade portuária do norte da Alemanha. Fomos ao centro da cidade antiga, onde as inúmeras igrejas são atrativos especiais para turistas. Na vitrine dum mercadinho vimos uma bandeira do Brasil exposta. Adentramos para saber do "porquê" ali estar uma bandeira do nosso país. O proprietário prontamente respondeu: "É porque temos vinhos brasileiros à venda!" De fato. Havia vários tipos de vinhos brasileiros da Vinícola Valduga. Após o almoço, fomos até a localidade de Travemünde, onde há um Centro de Cultura Pomerana - um amplo salão comunitário com auditório, escola, igreja - construído e mantido por pomeranos expulsos das suas antigas propriedades, que hoje são território polonês. (Aqui é interessante lembrar que da antiga província alemã da Pomerânia, só uma quarta parte ainda é alemã). Um considerável número de pomeranos nos esperava e a recepção foi calorosa. A maioria nunca havia se encontrado, mas uns sabiam da existência dos outros. Convidaram-nos para chegarmos ao salão do centro, onde, na recepção, não faltaram bebidas, cucas, tortas e outros pratos da culinária pomerana. Em seguida, numa sala anexa, houve uma breve explanação sobre a história dos pomeranos, a expulsão da sua terra natal, a sua chegada e estabelecimento em diferentes pontos da Alemanha e em outros países, também. No amplo auditório daquele Centro de Cultura, completamente tomado por populares que queriam conhecer e conversar com os teuto-brasileiros, dois grupos de danças típicas alemãs do Brasil se apresentaram: o "Volkstanzgruppe Pommerland" de Santa Maria de Jetibá-ES e o "Volkstanzgruppe Katzenberg" de São Pedro de Alcântara-SC. Os dois grupos foram entusiasticamente aplaudidos. E para encerrar as apresentações, o grupo aqui do extremo-este de Santa Catarina improvisou um quinteto e entoou três canções - (Afonso Kraemer - Itapiranga, com acordeão e: Luís Sehn - Iporã do Oeste, Vianei L. Hammerschmitt - Tunápolis, Nilo Wirth - São João do Oeste e Altair Reinehr - Maravilha = vocalistas. As canções entoadas foram: a)So ein Tag, so wunderschön wie heute; b)Heimatlos - (que deixaram muitos pomeranos de olhos lustros e vertendo lágrimas...) - e por fim, uma canção humorística, "Der Lehrer in der Schule...!" Mais uma vez, aplausos mui calorosos. Os pomeranos de lá ficaram muito felizes com a visita de "pomeranos e de husrückers do Brasil!" A Língua Pomerana, lá, no entanto, é falada ainda pelos mais idosos. Os mais jovens falam o alemão padrão, ou seja, o "Hochdeutsch". A alegria dum reencontro de descendentes - após mais de seis décadas - foi algo emocionante. Ficaram sumamente impressionados quando souberam que no Espírito Santo - no distante Brasil - o Professor Ismael Tressmann (integrante da delegação) realizara um trabalho de resgate da Língua Pomerana e que este idioma é aqui falado, ao lado da Língua Oficial, a Portuguesa. Travemünde fica a um quilômetro da ex-fronteira da ex- Deutsche Demokratische Republik (DDR) = Alemanha Oriental. Foi lá o nosso primeiro encontro com um grupo organizado de pomeranos, em território alemão, mas constituído de "refugiados de guerra e seus descendentes". Às 08:30 horas do dia 26, deixamos o hotel em Lübeck e empreendemos viagem rumo a Stettim, antiga capital da Pomerânia, hoje em território polaco. A viagem foi calma e muito tranquila. Infindáveis planícies do norte da Alemanha, muito apropriadas para a agricultura mecanizada. Muitas torres com cataventos para a produção de energia. Da outrora fortificada e eletrificada fronteira entre as duas Alemanha não há mais vestígios. Lá pelas tantas, o motorista do nosso ônibus avisou: logo aí é a fronteira da Alemanha com a Polônia. Nenhum posto policial, nenhuma guarda de fronteira. Nada. As lavouras eram ininterruptas e ninguém poderia imaginar que aí passava a divisa entre dois países. A um quilômetro adiante - já em território polonês - havia um posto aduaneiro e um restaurante. Não vimos nenhum policial e ninguém veio pedir pela nossa documentação. Mas havia algumas surpresas com que nos depararíamos...

    13/10/2011 Leia...

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  • Uma delegação de 80 teuto-brasileiros na Alemanha

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    Maravilha No dia 20 de agosto uma delegação de 80 teuto-brasileiros - catarinenses, espírito-santenses e paranaenses - empreendeu uma viagem de integração, estudos e pesquisas pela Alemanha e Polônia. Às regiões do Hunsrück e Pomerânia foi dada maior ênfase. Também foram visitadas as cidades de Köln (Colonia), Bremen e Lübeck em território alemão. Na região do Hunsrück foi visitada a cidade de Simmern e outras aldeias próximas. A viagem foi patrocinada pela firma Malwee de Jaraguá do Sul-SC e teve por objetivo maior a busca duma aproximação e integração entre os "Hunsrücker" e "Pomeranos" de lá com os descendentes daquelas regiões, hoje cidadãos teuto-brasileiros, aqui nascidos e residentes. Após 11 horas e meia de voo - já era dia 21 - chegamos ao aeroporto internacional de Frankfurt. Lá, dois ônibus estavam à nossa espera, que nos conduziram - por uma rodovia menor à margem direita do Reno - até o Hotel Mercuri, em Koblenz, onde logo todos estavam bem acomodados. Do hotel, tinha-se uma boa vista de parte da cidade e de vinhedos, que ladeiam o Reno, rio este cantado em prosa e verso há séculos. Para fins de navegação, o Reno também é a mais importante hidrovia da Europa. Cansados pela longa viagem, o grande grupo tratou de jantar já ao anoitecer. (Às 20h30 horas ainda era dia...). Quase todos optaram por um jantar num dos tantos restaurantes à margem do romântico rio Reno, donde se podia ver o intenso movimento de navios de carga e de passageiros. O trânsito de trens também é intenso. Há vias férreas duplas, em ambas as margens. Assim mesmo, nas rodovias o trânsito também é muito intenso - muito mais que há 25 anos, quando lá estive pela primeira vez - notadamente de caminhões de carga. (Contaram-nos que na Alemanha os caminhoneiros também têm "hora para chegar", mas também têm um número máximo de horas que podem viajar durante o dia... Há um número mínimo de horas, que estes motoristas devem dormir. Certamente está aí uma das razões do porquê lá o número de acidentes é inexpressivo...) As rodovias da Alemanha são consideradas, por muitos experts no assunto, como as mais modernas do mundo. E o início da construção destas rodovias começou na década de 30. Às 8 horas da manhã de 22 de agosto, nossos dois ônibus iniciaram viagem à cidade de Simmern, a mais importante da região do Hunsrück. Houve um passeio pela cidade, visita ao "Hunsrücker Museum", à Prefeitura, à torre onde estivera preso o "Schinderhannes" (Johannes Bückler). (Schinderhannes era um homem, que roubava dos ricos para dar aos pobres. Marcou época. Amado por uns, odiado por outros. Há quem o denomine "o Robbin Hood alemâo". Schinderhannes foi condenado por um tribunal em Mainz e lá, executado pelos franceses.) Lá pela meia tarde, visitamos o "Hunsrückerdom" (Catedral do Hunsrück) na aldeia de Ravengiersburg, perto de Simmern. Naquela aldeia foi preparado um "lanche bem reforçado" para os visitantes. Cucas, tortas, pão-de-ló e variadas bebidas não faltaram. Hans-Werner Brand - músico e humorista de lá - que tem parentes e amigos em Iporã do Oeste, e Alfonso Kraemer de Itapiranga iniciaram uma rodada de músicas e cantorias, que envolveu a maior parte dos presentes. Foi um encontro de confraternização no verdadeiro sentido da palavra. De regresso a o Hotel Mercuri em Koblenz, muitos ainda aproveitaram para fazer algumas compras - de lembranças, é claro - pois de modo geral, os preços, lá, não são convidativos para nós. E o jantar, mais uma vez, em restaurantes às margens do Reno.

    28/09/2011 Leia...

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