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BOCA NO TROMBONE

Jornal Imagem - 28/06/2026 11:58 - Visualizações: 74

BOCA NO TROMBONE

Por Euclides Staub – Jornal Imagem

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Caneta emagrecedora

Agora acredito que o presidente Lula poderá, enfim, acabar com a fome no Brasil. Afinal, o governo anunciou que pretende disponibilizar pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a famosa caneta emagrecedora, medicamento que ganhou notoriedade por sua eficácia no tratamento da obesidade e no controle do diabetes tipo 2.

Segundo especialistas, a medicação reduz significativamente o apetite, aumenta a sensação de saciedade e contribui para a perda de peso, melhorando também diversas doenças associadas ao excesso de gordura corporal. Para quem sofre com obesidade, trata-se de um importante avanço da medicina e de uma alternativa terapêutica que pode melhorar a qualidade de vida de milhares de brasileiros.

Mas, se a lógica fosse simplesmente "tirar a fome", a solução estaria encontrada: menos apetite, menos necessidade de comer. Bastaria distribuir a caneta para que o problema da fome desaparecesse das estatísticas nacionais. Seria uma fórmula simples, rápida e, aparentemente, eficaz.

Infelizmente, a realidade não funciona dessa maneira. A fome não é consequência do excesso de apetite, mas da falta de condições para adquirir alimentos. Ela está diretamente ligada à pobreza, ao desemprego, à baixa renda, à desigualdade social e à ausência de políticas públicas capazes de garantir segurança alimentar à população mais vulnerável.

Combater a fome exige muito mais do que medicamentos. Significa promover crescimento econômico, geração de empregos, valorização da renda, incentivo à produção de alimentos, apoio à agricultura e programas sociais eficientes que assegurem alimentação adequada e dignidade às famílias brasileiras.

A caneta emagrecedora representa um importante recurso para a saúde pública quando utilizada de forma correta e com indicação médica. Pode ajudar pessoas que enfrentam sérios problemas relacionados à obesidade e reduzir complicações futuras. No entanto, não pode ser apresentada, nem simbolicamente, como resposta para um problema social tão profundo quanto a fome.

Emagrecer é uma questão de tratamento médico. Acabar com a fome continua sendo um desafio econômico, social e político. São problemas diferentes, que exigem soluções completamente distintas. A caneta pode até reduzir o apetite. Mas para eliminar a fome do Brasil, a receita continua sendo outra.

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