Jornal Imagem - 12/07/2026 11:44 - Visualizações: 34
Qual é o candidato ideal à Presidência?
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A pouco tempo das eleições, uma pergunta merece ser feita: afinal, qual seria o candidato ideal à Presidência da República?
Mais do que um bom discurso ou habilidade eleitoral, o país necessita de um projeto consistente de nação. Até agora, nenhum dos nomes colocados no cenário político apresentou um plano capaz de reunir metas claras, prazos definidos, custos estimados e mecanismos de prestação de contas à sociedade.
O candidato ideal deveria registrar, antes da eleição, um plano de governo com cerca de 20 a 30 prioridades nacionais, detalhando investimentos, cronograma de execução e indicadores que permitam ao eleitor acompanhar o cumprimento de cada compromisso. A política brasileira precisa substituir promessas vagas por metas mensuráveis.
Entre as reformas institucionais, seria desejável o compromisso de extinguir a reeleição para os cargos do Executivo, estabelecer mandato de cinco anos para presidente, governadores e prefeitos e ampliar para dez anos o mandato dos senadores. Da mesma forma, caberia discutir o fim da vitaliciedade em cargos de cúpula do Judiciário, do Ministério Público e dos tribunais de contas, adotando mandatos com duração determinada e possibilidade limitada de recondução.
Outro compromisso importante seria fortalecer a colegialidade nas decisões dos tribunais superiores, restringindo decisões monocráticas às situações absolutamente excepcionais.
No combate à corrupção, o país precisa de medidas firmes. Entre elas, o endurecimento das penas para crimes contra a administração pública, recuperação integral dos recursos desviados, inelegibilidade prolongada para condenados e redução significativa do foro por prerrogativa de função, mantendo-o apenas para os chefes dos Três Poderes.
A responsabilidade fiscal também deveria ser um compromisso inegociável. O controle das despesas públicas, a revisão gradual das renúncias fiscais e a racionalização da estrutura administrativa poderiam liberar centenas de bilhões de reais para investimentos em áreas prioritárias.
Ao mesmo tempo, o crescimento econômico precisa caminhar junto com a justiça social. Isso passa pela valorização permanente do salário mínimo, atualização anual da tabela do Imposto de Renda, preservação do poder de compra dos benefícios sociais e ampliação dos investimentos em educação, especialmente na implantação do ensino em tempo integral.
Outro ponto essencial é o fortalecimento da transparência. Agentes públicos de todos os Poderes deveriam prestar contas de seu patrimônio e de sua evolução financeira durante o exercício do cargo, submetendo-se aos mesmos princípios de fiscalização exigidos da sociedade.
Na educação, um objetivo nacional deveria ser reduzir drasticamente o analfabetismo funcional, que ainda atinge parcela expressiva da população. Sem educação de qualidade, nenhuma reforma produzirá resultados duradouros.
Se implementadas de forma responsável, medidas de racionalização dos gastos públicos e combate à corrupção poderiam gerar recursos suficientes para ampliar investimentos em saúde, infraestrutura, segurança pública, habitação e programas sociais, demonstrando que o principal desafio brasileiro não é apenas arrecadar mais, mas administrar melhor.
O Brasil precisa voltar a discutir projetos de longo prazo. A história mostra que governos capazes de estabelecer metas claras, acompanhar resultados e prestar contas à população deixam um legado mais consistente do que aqueles sustentados apenas por discursos.
Mais do que escolher um candidato, o eleitor deveria exigir compromissos concretos, metas verificáveis e responsabilidade na execução. O país necessita menos de promessas e mais de planejamento, transparência e capacidade de gestão. Esse talvez seja o verdadeiro perfil do presidente que o Brasil espera.
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