Jornal Imagem - 17/08/2026 11:53 - Visualizações: 36
O que impede o Brasil de enriquecer
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O Brasil precisa voltar a discutir seu futuro econômico com menos conformismo e mais ambição. O país não está diante apenas de uma dificuldade passageira. Há uma estagnação que se prolonga há anos e que ameaça transformar o baixo crescimento em uma condição permanente da vida nacional.
O diagnóstico é conhecido e reúne economistas de diferentes correntes: o Brasil tem, simultaneamente, um Estado que pesa demais e uma economia que produz de menos. São problemas distintos, mas que se alimentam mutuamente.
O Estado brasileiro absorve uma parcela elevada da riqueza produzida pela sociedade, gasta muito, gasta mal e entrega resultados frequentemente insuficientes. A carga tributária chegou, em 2024, ao maior nível histórico, em torno de 32% do PIB. Ainda assim, serviços públicos essenciais continuam apresentando resultados aquém do esperado. Décadas de expansão das despesas obrigatórias, burocracia, baixa capacidade de planejamento e uma estrutura administrativa excessivamente complexa ajudaram a construir esse cenário.
O problema não está simplesmente em cobrar impostos, mas no que o país recebe em troca e no espaço que a elevada tributação retira de quem produz. Recursos que poderiam financiar investimentos, inovação, empreendedorismo e aumento da produtividade acabam comprometidos por uma máquina pública que cresce sem entregar, na mesma proporção, melhores serviços e oportunidades.
O segundo grande problema é o crescimento insuficiente. O Brasil se acostumou a crescer pouco. A produtividade perdeu dinamismo, os investimentos não avançaram como poderiam e a economia deixou de gerar a prosperidade necessária para acompanhar as aspirações da população.
Essa talvez seja a face mais perigosa da crise. Um país não precisa entrar em colapso para fracassar. Pode simplesmente crescer menos do que sua capacidade e, ano após ano, perder oportunidades de desenvolvimento. Foi assim que a mediocridade econômica acabou sendo normalizada.
O desperdício do bônus demográfico torna essa situação ainda mais preocupante. O período em que há proporcionalmente mais pessoas em idade ativa deveria ser uma oportunidade extraordinária para elevar a produção, aumentar a poupança e os investimentos e preparar o país para o envelhecimento da população. Se essa janela for desperdiçada, o Brasil terá de enfrentar, no futuro, uma sociedade mais envelhecida sem ter alcançado o nível de riqueza necessário para sustentá-la.
As consequências da estagnação vão muito além das estatísticas. Quando a economia cresce pouco, os salários avançam lentamente, as oportunidades diminuem e os jovens passam a enxergar fora do país perspectivas que não encontram aqui. Ao mesmo tempo, o próprio Estado encontra mais dificuldades para financiar políticas públicas de qualidade.
Talvez nenhum indicador traduza melhor essa realidade do que uma pergunta que começa a rondar muitas famílias brasileiras: nossos filhos terão uma vida melhor do que a nossa?
É uma pergunta simples, mas de enorme significado. Durante muito tempo, o progresso entre gerações pareceu uma expectativa natural. Hoje, essa certeza já não existe para todos. Quando uma sociedade perde a confiança de que o futuro será melhor, perde também parte de sua disposição para investir, empreender e construir.
Por isso, o Brasil precisa recuperar um sonho que deveria ser comum a todos: o de um país em que cada geração possa viver melhor que a anterior.
Para isso, será necessário um Estado mais eficiente e responsável, menos burocracia, segurança jurídica, estímulo ao investimento e ao empreendedorismo e, sobretudo, uma economia capaz de elevar continuamente sua produtividade. Não há atalho para a prosperidade. Países enriquecem quando produzem mais, investem mais, inovam mais e criam condições para que o trabalho e o talento sejam recompensados.
O Brasil tem recursos, mercado consumidor, gente qualificada e enorme potencial. O que falta é transformar essas vantagens em crescimento sustentado.
Enriquecer não deve ser tratado como um sonho distante ou como privilégio de poucos. Deve ser um objetivo nacional. Afinal, uma sociedade que perde a capacidade de crescer perde também a capacidade de oferecer aos seus cidadãos aquilo que todos desejam para seus filhos: mais oportunidades, mais segurança e uma vida melhor que a da geração anterior.
15/08/2026 09:11
17/08/2026 11:45