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Boca no trombone – Por Euclides Staub

Jornal Imagem - São Miguel do Oeste - 24/08/2026 10:42 - Visualizações: 87

Boca no trombone – Por Euclides Staub

Alguém entendeu esta conta?

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São Miguel do Oeste poderá voltar a ter voos regulares para Florianópolis. A notícia, sem dúvida, merece ser comemorada. Afinal, quem vive no Extremo Oeste conhece bem as enormes distâncias rodoviárias e o tempo perdido para chegar aos grandes centros.

Mas, junto com a comemoração, vem uma pergunta que não quer calar: alguém entendeu esta conta?

O Governo de Santa Catarina prevê investir até R$ 22,5 milhões dos cofres públicos nos primeiros 12 meses do programa VOA + SC. O dinheiro será utilizado para subsidiar a aviação regional, e o valor arrecadado com as passagens será descontado do montante previsto no contrato.

Até aí, tudo bem. Investir em infraestrutura e melhorar a integração do Extremo Oeste é importante. O problema começa quando olhamos para o preço das passagens.

Segundo as informações divulgadas, os bilhetes deverão custar entre R$ 315 e R$ 825, dependendo da rota. E aí surge a dúvida: quanto realmente o contribuinte estará pagando por passageiro para manter essa operação?

Se o Estado vai colocar milhões de reais no programa, é fundamental que a população tenha acesso aos números completos: custo por voo, quantidade estimada de passageiros, valor do subsídio por bilhete e critérios utilizados para definir os preços.

Não se trata de ser contra o avião. Pelo contrário. São Miguel do Oeste precisa de transporte aéreo, e uma ligação regular com Florianópolis pode representar desenvolvimento, agilidade e novas oportunidades para toda a região.

Mas investimento público precisa vir acompanhado de transparência e resultado.

Quando se fala em até R$ 22,5 milhões, estamos falando de dinheiro de todos nós. Por isso, a pergunta é simples: qual será o custo real dessa passagem para o passageiro e qual será o custo para o contribuinte?

E mais: será que o modelo adotado é economicamente sustentável depois que terminar o período de subsídio?

O Extremo Oeste merece voos. Merece desenvolvimento. Merece estar conectado com Santa Catarina e com o Brasil.

Mas também merece saber quanto vai pagar por isso.

Alguém entendeu esta conta?

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