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Boca no trombone – Por Euclides Staub

Jornal Imagem - 27/09/2026 10:59 - Visualizações: 39

Boca no trombone – Por Euclides Staub

Flávio Bolsonaro no primeiro turno?

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A vitória de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, caso confirmada pelas urnas, não seria apenas a passagem de um candidato à etapa seguinte da disputa presidencial. Seria também a confirmação de que o bolsonarismo encontrou, em sua própria família política, uma forma de permanecer como força central na política brasileira.

O resultado obrigaria analistas, partidos e adversários a reverem suas estratégias. Uma eleição que durante meses foi apresentada como uma disputa fortemente concentrada entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro chegaria ao segundo turno com uma mensagem clara das urnas: uma parcela significativa do eleitorado decidiu manter a direita bolsonarista no centro da disputa pelo Palácio do Planalto.

A dimensão desse resultado, porém, não pode ser medida apenas pelo número de votos. Flávio herdou uma base política construída ao longo dos últimos anos, mas precisou transformá-la em uma candidatura presidencial própria. A passagem para o segundo turno representaria, nesse sentido, a consolidação de uma nova etapa da trajetória política da família Bolsonaro.

Também seria um resultado com consequências para os demais partidos de direita e centro-direita. Os votos recebidos pelos candidatos que ficaram pelo caminho passariam a ser disputados intensamente. O segundo turno deixaria de ser apenas uma repetição da polarização entre dois grupos e se transformaria numa batalha pela ampliação de alianças e pela conquista do eleitor que não participou da escolha dos dois primeiros colocados.

Para Lula, uma eventual vitória de Flávio no primeiro turno significaria a necessidade de reorganizar uma campanha que, até então, buscava preservar sua posição de liderança. Para Flávio, o desafio seria igualmente grande: converter a força eleitoral do primeiro turno em maioria nacional, ampliando seu discurso para além do eleitorado mais fiel ao bolsonarismo.

É justamente aí que começa a parte mais importante da história. Primeiro turno é fotografia; segundo turno é outra eleição.

A vitória de Flávio, portanto, não encerraria a disputa. Ao contrário: abriria uma nova fase, na qual cada voto dos candidatos derrotados, cada aliança partidária e cada eleitor indeciso poderiam adquirir peso decisivo.

Mais do que celebrar ou lamentar o resultado, caberia compreender o que as urnas estariam dizendo. E, nesse cenário, a mensagem seria inequívoca: o Brasil continua dividido politicamente, e o projeto representado por Bolsonaro — agora conduzido por seu filho — permanece como um dos principais polos de poder do país.

A eleição, porém, ainda teria uma pergunta fundamental a responder: a vitória no primeiro turno seria suficiente para construir uma maioria nacional no segundo?

Essa resposta não estaria nas pesquisas, nos discursos ou nas redes sociais. Estaria, novamente, nas urnas.

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