Jornal Imagem - 24/08/2026 10:14 - Visualizações: 43
Conquistar eleitores pelo convencimento
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A pesquisa eleitoral publicada na segunda-feira, 17, pela Nexus, com levantamento contratado pelo BTG Pactual, revela um dado que merece atenção: ainda existe um contingente expressivo de eleitores a ser convencido sobre os rumos que pretende dar ao país nas eleições de 2026.
Segundo os números divulgados, 5% dos entrevistados declararam voto em branco ou nulo, 2% estão indecisos, 23% demonstram desinteresse pelo processo eleitoral e outros 5% afirmam que não pretendem votar. Quando esses percentuais são projetados sobre o universo de aproximadamente 159 milhões de eleitores, estamos falando de dezenas de milhões de brasileiros que, de alguma forma, ainda estão distantes de uma escolha definida.
Esse cenário representa, ao mesmo tempo, um desafio e uma oportunidade. Candidatos, partidos e grupos políticos que desejam conquistar votos precisam compreender que eleição não se ganha apenas pela mobilização dos que já estão convencidos. É necessário alcançar quem está indeciso, desinteressado ou descrente da política.
E há apenas um caminho legítimo para isso: o convencimento.
Voto não deveria ser conquistado na base da agressão, da provocação ou da tentativa de desqualificar o adversário. Deve ser resultado da apresentação de propostas, da exposição de ideias e, sobretudo, da capacidade de demonstrar ao eleitor por que determinado projeto merece sua confiança.
Para escolher bem, entretanto, o eleitor também precisa ter acesso à informação e ao conhecimento. Uma sociedade mais informada é uma sociedade com maior capacidade de avaliar promessas, comparar propostas e cobrar resultados. Conhecimento não é apenas instrumento de desenvolvimento pessoal; é também uma forma de cidadania e de poder.
O Brasil possui enorme potencial econômico, social e humano. O problema é que, historicamente, nem sempre conseguimos transformar esse potencial em desenvolvimento consistente. A educação, nesse contexto, deveria ocupar posição central nas prioridades de governos e partidos. Quanto mais preparada estiver a população, maior será sua capacidade de participar das decisões públicas e de exigir qualidade de seus representantes.
Uma democracia madura não precisa de cidadãos desinformados para funcionar. Precisa exatamente do contrário: de eleitores conscientes, críticos e capazes de decidir por conta própria.
Por isso, os milhões de brasileiros que ainda não definiram seu voto não devem ser vistos apenas como números em uma pesquisa. São cidadãos que precisam ser ouvidos e respeitados. Cabe aos candidatos conquistar sua confiança pelo trabalho, pelas propostas e pela capacidade de argumentar.
No fim, a melhor disputa eleitoral não é aquela em que vence quem grita mais alto, mas aquela em que prevalece a ideia capaz de convencer melhor.
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