politica

Editorial – Por Euclides Staub

Jornal Imagem - 22/09/2026 17:41 - Visualizações: 26

Editorial – Por Euclides Staub

Lula na ONU e a disputa pelo eleitorado

Ouça esta notícia

Versão em áudio

O discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, ocorre em um momento em que a política externa se mistura cada vez mais com a disputa eleitoral brasileira. A soberania nacional continuará presente na retórica presidencial, mas os sinais emitidos pelo governo também precisam ser compreendidos à luz da busca por apoio entre os eleitores que ainda não definiram sua escolha.

Até aqui, dois movimentos esperados pelo governo não produziram, ao menos de forma evidente, os efeitos políticos imaginados. A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal não provocou o desgaste eleitoral de Lula que alguns setores projetavam, enquanto a ampliação dos programas sociais, incluindo o Bolsa Família, tampouco resultou em uma mudança imediata e expressiva no cenário político.

É nesse contexto que a agenda internacional ganha importância. A possibilidade de um novo encontro com o presidente americano Donald Trump acrescenta peso político ao discurso de Lula. A disputa em torno da soberania e as divergências com Washington têm forte apelo político, mas questões como a guerra comercial e as relações entre os dois países são mais complexas para o eleitor comum do que problemas concretos do cotidiano, como o custo de vida, o endividamento e a renda disponível no fim do mês.

A presença de Lula ao lado de lideranças da esquerda americana, entre elas o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, também compõe esse cenário. Ao mesmo tempo em que o presidente busca projetar sua imagem internacional, o governo precisa responder às preocupações domésticas que influenciam diretamente a percepção dos eleitores.

Em Brasília, novas medidas voltadas ao consumidor e à economia popular estão em discussão. Entre elas aparecem propostas relacionadas à regulamentação das apostas esportivas e iniciativas destinadas a aliviar o peso das dívidas das famílias. São temas com impacto direto na vida cotidiana e que podem ocupar espaço crescente no debate eleitoral.

O desafio do governo, portanto, não está apenas em construir uma narrativa internacional capaz de mobilizar sua base política. Está também em transformar decisões e programas em resultados percebidos pela população. Para o eleitor, sobretudo aquele que ainda não decidiu seu voto, a política externa pode chamar atenção, mas a realidade econômica de cada família tende a permanecer como um dos elementos centrais da escolha eleitoral.

Anúncios

+