Jornal Imagem - 09/06/2026 15:38 - Visualizações: 28
Brasil chega atrasado à corrida tecnológica
O avanço tecnológico tornou-se um dos principais fatores de competitividade econômica, geração de riqueza e desenvolvimento social no século XXI. Nesse cenário, o Brasil corre o risco de consolidar uma posição preocupante: a de um país que, apesar de seu potencial econômico e de casos pontuais de excelência, permanece atrasado na corrida global pela inovação.
Embora o país tenha alcançado reconhecimento em áreas como tecnologia financeira e agrotecnologia, os indicadores gerais revelam uma realidade menos favorável. A baixa integração com os fluxos internacionais de conhecimento, investimentos e tecnologia continua sendo um obstáculo para a construção de uma economia mais dinâmica e inovadora.
A história recente oferece exemplos eloquentes dos custos desse isolamento. A chamada Política Nacional de Informática, implementada a partir do fim da década de 1970, buscou desenvolver uma indústria tecnológica nacional por meio de reservas de mercado e restrições à importação de equipamentos, componentes e tecnologias estrangeiras. O resultado, amplamente reconhecido por especialistas, foi o atraso da indústria brasileira em um momento decisivo da revolução da informática mundial.
A experiência demonstrou que o protecionismo excessivo, longe de fortalecer a competitividade, pode gerar estagnação. Durante décadas, o país manteve uma economia relativamente fechada, protegendo setores produtivos da concorrência internacional e limitando a incorporação de avanços tecnológicos desenvolvidos no exterior. Essa estratégia contribuiu para reduzir os incentivos à inovação e à modernização.
A abertura econômica iniciada nos anos 1990 representou uma mudança importante de direção. Ao eliminar barreiras e ampliar o acesso a produtos, tecnologias e investimentos internacionais, o Brasil passou a integrar-se de forma mais consistente à economia global. Ainda assim, o processo ocorreu de forma lenta e insuficiente quando comparado ao ritmo de transformação observado em outras nações emergentes.
O desafio permanece atual. Países que hoje lideram setores estratégicos da economia digital investem simultaneamente em educação, pesquisa, inovação e inserção internacional. A experiência internacional mostra que a abertura comercial, associada à segurança jurídica e ao estímulo ao investimento produtivo, favorece a transferência de tecnologia e o aumento da produtividade.
O Brasil dispõe de mercado consumidor expressivo, recursos naturais abundantes e capacidade empreendedora reconhecida. No entanto, para transformar essas vantagens em desenvolvimento sustentável, será necessário abandonar velhas resistências ideológicas e adotar uma agenda mais consistente de integração econômica e tecnológica com o mundo.
A década que se aproxima será decisiva. Se quiser ocupar posição relevante na economia do conhecimento, o país precisará acelerar investimentos em inovação, ampliar sua competitividade e fortalecer os vínculos com os centros globais de tecnologia. Caso contrário, corre o risco de assistir, mais uma vez, às grandes transformações do seu tempo a partir da arquibancada.