Jornal Imagem - Bento Gonçalves - 11/05/2026 10:43 - Visualizações: 35
Enquanto o debate nacional segue dividido entre ampliar programas sociais ou incentivar a geração de empregos, um município da Serra Gaúcha passou a chamar atenção pelos resultados obtidos na prática. Bento Gonçalves reduziu em 40% o número de beneficiários do Bolsa Família em cerca de um ano e meio ao apostar em uma estratégia direta: aproximar trabalhadores das vagas disponíveis no mercado local.
Em novembro de 2024, a cidade contabilizava 2.115 famílias atendidas pelo programa. Em abril de 2026, o número caiu para 1.266. Paralelamente, o município registrou crescimento na geração de empregos formais. Somente em 2025, foram criadas 1.104 vagas com carteira assinada, segundo dados do Caged.
A lógica adotada pela prefeitura foi simples. Equipes passaram a visitar beneficiários aptos ao trabalho, auxiliando na elaboração de currículos e encaminhando essas pessoas para vagas próximas de suas residências. A iniciativa priorizou setores fortes da economia local, como vinicultura, agricultura familiar, indústria moveleira, turismo e metalmecânica.
O ex-prefeito Diogo Siqueira resumiu a proposta em uma frase: “A melhor assistência social é o trabalho”. Já o secretário de Desenvolvimento Social, Eduardo Virissimo, destacou que a autonomia financeira das famílias deve ser o principal objetivo das políticas públicas.
O caso reacende uma discussão importante sobre os limites e os desafios dos programas de transferência de renda no Brasil. Um estudo do FGV Ibre apontou que, em determinadas situações, a ampliação contínua de benefícios pode reduzir a participação no mercado de trabalho. Em alguns estados brasileiros, o número de beneficiários já supera o de trabalhadores formais.
Especialistas divergem sobre as causas e soluções. Para o economista Claudio Shikida, programas sociais deveriam funcionar como apoio temporário, acompanhados de qualificação profissional e estímulo à empregabilidade. Já Ricardo Gomes avalia que o principal desafio é criar incentivos capazes de favorecer a formalização do trabalho sem ampliar a dependência do Estado.
A experiência de Bento Gonçalves não encerra o debate nacional sobre assistência social, mas oferece um elemento concreto à discussão: políticas públicas que unem proteção social e inserção produtiva podem produzir resultados relevantes tanto para as famílias quanto para a economia local.
No centro dessa discussão permanece uma pergunta essencial: qual deve ser o papel do Estado — garantir renda permanente ou criar condições para a independência econômica?